29.9.07

A Vitória

Foto: www.rtp.pt
Não sei até que ponto era (in)esperada, para quem conhece estas coisas por dentro, a vitória de Luís Filipe Menezes nas directas do PSD. Por agora, e por aquilo que tenho lido e ouvido, só sei que ou bem que perdeu o bom PSD (ou o que o PSD ainda tinha de bom), saindo vitorioso o mau PSD. Ou então ganhou o único PSD que, perto dos portugueses comuns e longe das elites que não se renovam, pode mudar a direita e o país.
Penso, porém, que não vale a pena ser tão definitivo. É óbvio que a realidade está algures no meio, sendo certo que caso Luís Filipe Menezes opte pelo “populismo”, depois das eleições de 2009 o PSD estará em muito pior estado do que aquele que Marques Mendes resgatou há um par de anos. De qualquer modo, e como também política está repleta de imponderáveis, será preferível que quem se interesse pela vida e pelo destino do "partido mais português de Portugal", não desespere nem fique eufórico nas previsões e cenários em que mergulhe. Se o PSD algum dia ganhar alguma coisa que se veja com Luís Filipe Menezes, nunca ganhará para sempre. E caso perca, por mais que perca, não perderá sempre.
É claro que também existe a possibilidade de a vitória de Luís Filipe Menezes poder, a prazo, conduzir à fundação de um novo partido de centro direita. Mas aqueles que o poderiam fazer dificilmente suportarão uma tal maçada. Ainda assim, pode ser que venha a acontecer. Tudo é possível, por mais improvável que neste momento pareça.

2 comentários:

O Raio disse...

Luis Filipe Menezes vai ser um precioso aliado de Sócrates e Cavaco Silva no desejo destes de enterrar o referendo ao clone da Constituição Europeia, isto é, do Tratado Reformador.

O suicídio político de Marques Mendes deve ter sido o querer fazer um referendo!

Fernando Martins disse...

A questão europeia é, de facto, importante em qualquer tentativa que façamos para compreender o papel de Luís Filipe Meneses e de, já agora, Santana Lopes na política portuguesa num futuro próximo. Ambos manifestaram reservas à realização de um referendo ao novo tratado europeu. Resta saber se o continuarão a ser no futuro.