24.7.07

O realismo de Miguel Portas

Através do Arrastão soube com atraso que Miguel Portas tem um blogue (Sem Muros) onde conjectura, sobretudo, acerca de questões internacionais. No meio daquilo que li escrito pelo estimável eurodeputado Portas, descobri uma pérola em que o dito se identifica com umas declarações proferidas por Massimo D’Alema e segundo as quais o Hamas, apesar de ter cometido actos terroristas - presumo que já não comete – deve ser tido em conta e aceite internacionalmente na qualidade de força política com apoio popular expresso em eleições vitoriosas. Daí decorrerá que EUA e União Europeia não devem hostilizar aquele “movimento” sob o risco do mesmo poder vir a cair nos braços da Al Qaida. Como é óbvio, e Portas deve sabê-lo, o problema da natureza da relação dos EUA e da União Europeia com o Hamas está muito para além do facto de se tratar de um movimento terrorista ou de ter ou não ter grande apoio popular (por exemplo, possui-o em Gaza mas não na Cijordânia). Entre outros, o problema com o Hamas é consequência do facto desta organização terrorista não só se recusar a aceitar reconhecer a existência do Estado de Israel, como pretender a sua destruição.
Ainda assim, e para que conste, recordo que Adolf Hitler e o Partido Nacional Socialista Alemão não só tiveram muitos votos e grande apoio popular, ao menos entre finais da década de 1920 e 1933, como apenas ambicionavam destruir a Checoslováquia, a Polónia ou a Rússia Soviética. Mas enfim, presumo que na cabeça de Portas, e bastando ter um pouco de fé, rapidamente se perceberá que o Hamas é diferente de tudo e todos e uma vítima da história mais próxima do Médio Oriente e Palestina. Eles não querem destruir Israel, as circunstâncias é que se lhes impõem.
É por isso muito engraçado ver Miguel Portas e quejandos não só convertidos ao realismo político, mas inclusivamente dispostos a pregá-lo, seguindo, sem saberem (?), alguns dos ensinamentos deixados pelo cardeal Richelieu, pelo conde Franz George Karl von Metternich, pelo príncipe Otto Leopold Eduard von Bismarck-Schönhausen, por Henry Morghentau ou por Henry Kissinger. O mundo dá muitas voltas, mas há pessoas que dão muitas mais. Tudo para que lhes dêem os segundos de atenção. Ou será que é apenas para defenderem os princípios em que não só acreditam como sempre acreditaram!

3 comentários:

josé manuel faria disse...

Gosto particularmente da parte " Miguel Portas e quejandos...".

Bush ganhou as eleições e é um grande democrata não tem nada que ver com terrorismo de estado nem coisa que se pareça.

Não esquecer que foram encontradas armas altamente mortiferas no Iraque.

Fernando Martins disse...

Não me lembro de ter falado de Bush. Mas se o freguês quer falar de Bush, que fale!

Anónimo disse...

Basta ver o que são , os grandes democratas que estão a governar a Polonia...

E quanto ao Bush estamos conversados parece que o caro Martins , até concorda que o dito merece consideração....

Não tenho nenhuma simpatia pelos fanaticos do Hamas, aliás uma criação dos serviços secretos de Israel, para combaterem na decada de setenta a Fatah de Arafat.

Agora o que é inegavei é que foram sufragados pelo voto popular.

E por isso têm a legitimidade que o voto dá.

Penso que o Miguel Portas era a isso que se queria referir, decretar a sua não existência como interlocutor do problema palestino, do qual são parte importante, é afinal fazer o jogo daqueles que na pratica não desejam uma patria palestina.

Veja-se o exemplo do Erdogan e da Turquia, qualquer democrata tem desconfianças sobre o homem os seus métodos e o seu partido islâmico, mas a Europa tem de se entender com ele, pois foi essa a decisão livremente sufragada pelos povo turco.

Se isto é a politica do realismo, então seja.