1.7.07

Hino à Real Vulgaridade

As monarquias europeias sempre se caracterizaram pela vulgaridade e pela rentabilização da mesma (perdoe-se-me o palavrão). Uma vulgaridade que só os monárquicos se comprazem em ignorar por razões que só eles poderão desvendar. Mas essa vulgaridade nunca foi tão cruamente exposta como nos últimos vinte ou trinta anos. De facto, a vulgaridade da monarquia europeia e, em especial, da monarquia britânica, atingiu novos patamares com a celebérrima Diana Spencer, baptizada de "princesa povo" pelo há poucos dias defunto Tony Blair.
Essa vulgaridade regressou a 1 de Julho sob o pretexto da celebração de mais um aniversário da dita, falecida num acidente de viação há coisa de uma década. De facto, o concerto de Wembley foi todo uma enorme vulgaridade. Desde a ideia em realizar o dito, ao tipo de música e de "intérpretes" que por lá passou. Ou seja, todos, povo, artistas e príncipes, estiveram ao nível mais rasteirinho, muito bem uns para os outros. Para não destoar lá apareceram a abanar as ancas e a bater palminhas diante das câmaras e do povo os dois filhotes da Diana e do eterno príncipe de Gales. Os pequenos príncipes também falaram e quem os ouvisse tremia a pensar que um deles poderá um dia ser rei. É verdade que o apoio dos rapazes à iniciativa se resume a uma tentativa de os fazer populares – ou de reforçar a sua popularidade – aos olhos do povo britânico e, por via disso, reforçar a sua imagem e a da monarquia. Como políticos de plástico ou artistas de variedades do mais medíocre que há, os dois rapazolas vão pelo caminho mais fácil na tentativa de salvarem o seu modo de vida e a instituição que a avó, Isabel II, teme que possa desaparecer para sempre não muito depois de deixar de ser rainha. Não faço futurologia, mas a verdade é que as monarquias europeias, ao assumirem diante de todos a vulgaridade dos seus príncipes, caminham a passos largos para o abismo. Nem os republicanos as poderão salvar.

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