
Decorreu ontem e continua hoje no parlamento espanhol o debate sobre o “
estado na nação”. Valha a verdade que se neste particular Zapatero mandasse, seria o debate sobre o estado das nações que compõem o estado espanhol. Assisti à quase totalidade do debate em que se digladiaram Zapatero e Mariano Rajoy. Gostei especialmente do discurso do líder da oposição (que se pode ler
aqui; e o de Zapatero
aqui), embora não seja certo que Rajoy tenha dito exactamente aquilo que levou escrito para a tribuna. Dos três temas que Rajoy escolheu para encurralar Zapatero, um, desde logo, pareceu-me importante e melhor apresentado perante os deputados. Refiro-me à lei da memória histórica que apenas tem servido, por várias razões, para dividir desnecessariamente os espanhóis, mas sobretudo por prometer aos derrotados da guerra civil e do franquismo uma vitória e até um ajuste de contas absolutamente desnecessário e que, nos termos em que tem sido conduzido, só interessa a oportunistas, a ingénuos e a radicais. O outro tema foi a questão do terrorismo e o fracasso da luta do Presidente do Governo espanhol pela paz e contra o dito. Zapatero encontra-se numa situação delicada nesta questão uma vez que falhou totalmente a sua estratégia, aliás bastante simples: apaziguar os terroristas ao mesmo tempo que hostilizava o PP. Aliás, e não sem exagero, parece que para Zapatero o seu principal inimigo político em Espanha e no mundo é o PP e não a ETA e o terrorismo (embora os socialistas possam dizer o mesmo do PP e de Rajoy).
Para terminar, e não querendo deixar de fazer uma analogia entre o estilo Zapatero e o estilo Sócrates, notei que para aquele, convictamente aliás, não deve haver oposição à política antiterrorista, por pior que esta seja nos seus princípios, meios e fins e, sobretudo, quando essa política foi desenhada, também, contra o PP. Lá como cá os socialistas não gostam que se debata e que haja oposição àquilo que verdadeiramente importa, àquilo que verdadeiramente interessa: o destino do Estado e o destino do seu sistema político-constitucional.