20.8.08

Drama só é drama se...

Cerca de 150 pessoas terão morrido hoje na sequência de um acidente aéreo ocorrido ao início da tarde junto do Aeroporto de Barajas-Madrid. Trata-se de um drama humano de grandes dimensões e de um acontecimento que merece um tratamento jornalístico cuidado e profissional. Porém, na SIC-Notícias, um pivô perguntava ao correspondente daquela estação em Madrid se haveria passageiros portugueses no voo fatal da Spanair, quando nada indicava que tal pudesse acontecer e não havia dados disponíveis que permitissem facultar aquele tipo de informação. Boçal e paroquial é, infelizmente, também em circunstâncias como esta o jornalismo português, como se um drama humano só o fosse verdadeiramente no caso de envolver protagonistas com passaporte luso.

19.8.08

Manuela Ferreira Leite e o "Pontal"

Quanto mais se fala da, para muito poucos, imperdoável e lamentável ausência de Manuela Ferreira Leite da “Festa do Pontal”, mais evidente se torna que a presidente do PSD fez muito bem em lá não ter posto os pés. Como demonstram, e muito bem, a razão, os factos e estes três posts.

Talvez a melhor "dupla musical" de todos os tempos...

Luís Amado, Portugal e a Geórgia



É uma tristeza ouvir o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, tão cauteloso na apreciação que faz da crise - que virou guerra - entre a Geórgia e a Rússia. Note-se, aliás, que o faz não em nome da "estabilização do sistema internacional", como pretende Paulo Gorjão, mas em nome dos negócios portugueses com a Rússia, potência economicamente emergente que tem vivido razoavelmente à margem da crise económica e financeira internacional. Mas fazem mal o ministro dos Negócios Estrangeiros e, eventualmente, o primeiro-ministro, em seguirem esta linha de pensamento e acção tão "realista" como desprovida de princípios. Isto porque no "sistema internacional", com OTAN ou sem OTAN, Portugal, como pequeno país, está perto da Geórgia e não da Rússia, e arrisca-se um dia a sentir na pele as angústias da Geórgia e não as da Rússia. É que desde 1975, Portugal deixou de facto de ser uma potência colonial. E nunca como nos últimos 33 anos necessitou e necessita de uma ordem internacional assente em princípios e não na força.

7.8.08

Férias


Amanhã vou de férias para o lugar da Esfarrapada, paróquia de Anceu, concelho de Ponte Caldelas. Regresso lá para 18 de Agosto. Entretanto, espero, nada se escreverá neste blogue.

Anti-Pontal

Manuela Ferreira Leite, a meu ver bem, não vai à festa do Pontal. Um acontecimento deprimente e vergonhoso que só desqualifica os políticos e a política aos olhos dos portugueses, sejam ou não sejam eles do "PSD". Até por isso, se percebe bem o tom ácido das críticas feitas por Ângelo Correia à líder do seu partido por não querer estar presente em cima de um palanque ridículo de onde normalmente se debitam enormes irrelevâncias. Mais um ou dois anos sem líder do PSD no Pontal lá para meados de Agosto e pode ser que nos esqueçamos em definitivo daquilo que há muito de tornou um anti-evento político.

Pergunta Óbvia (2)

Há uma cruzada no Diário de Notícias contra a Presidência da República e contra Cavaco Silva?

6.8.08

"O Chato e o Bébé" ("Contemporâneos")

Descubra as Diferenças

Segundo o Público de hoje, que para o efeito ouviu Mota Amaral, em Setembro de 1986, e quando era presidente da República, Mário Soares vetou o então novo “estatuto político-administrativo” dos Açores aprovado por unanimidade na Assembleia da República. O dito documento foi vetado politicamente por Soares, depois deste de ter recebido e ouvido em Belém chefes militares que manifestaram a sua preocupação para com um importante e perigoso detalhe que constava do dito documento: o “tratamento equivalente entre a bandeira dos Açores e a bandeira nacional.” Como se não bastasse, o seu veto político foi feito em directo na RTP com uma declaração ao país, tendo o “hino nacional” marcado “o início e o fecho da intervenção presidencial.”
Em resumo, pode-se concluir que a diferença entre aquilo que fez Cavaco, no fim do mês passado, e aquilo fez Soares, há quase 19 anos, está na época do ano. Setembro, ao contrário de Julho, presta-se indiscutivelmente a que os chefes de Estado façam “comunicações ao país”.

5.8.08

Ódios de Estimação


Mário Soares, alinhavando uns argumentos absurdos, dedica hoje um artigo de "opinião" no Diário de Notícias aos seus dois ódios de estimação: Cavaco Silva e George W. Bush. Esperemos que desta forma o ex. presidente vá para férias, ou fique de férias, mais aliviado.

3.8.08

A Queda

«No dia 3 de Agosto de 1968, Salazar encontrava-se no Forte do Estoril e ali esperava permanecer até aos primeiros dias de Outono. Naquela data, um Sábado, recebeu às nove da manhã o seu pedicuro Augusto Hilário. A paixão de Salazar pela leitura de jornais e o facto de Augusto Hilário trazer consigo o Diário de Notícias seriam fatais. Salazar pede o jornal e distraído pela leitura em que imediatamente se embrenha tenta, atirando o corpo para trás, sentar-se numa das cadeiras de lona que se encontrava no terraço do Forte. Se durante décadas foi versão corrente que ao sentar-se, sob o peso do seu corpo e do impulso levado por este, a cadeira se teria partido e Salazar caído, batendo de seguida violentamente com a nuca no solo, Fernando Dacosta sustentou recentemente que o presidente do Conselho se terá deixado cair para trás, falhando a cadeira e produzindo o acidente que se revelaria fatal. Apesar de instado pela sua governanta, Salazar não aceitou ver um médico. Pede ainda que o incidente não seja revelado. Só a 6 é observado pelo Dr. Eduardo Coelho e nada foi diagnosticado. Nesse dia e nos seguintes a rotina mantém-se. Encontra-se com Américo Thomaz e continua a discutir os detalhes da remodelação governamental que se consumou a 19 de Agosto.
Só no dia 6 de Setembro o estado clínico de Salazar é reavaliado pelo neurocirurgião António de Vasconcelos Marques. Após uma primeira observação no Estoril – na sequência de um agravamento do estado de saúde de Salazar ocorrido dias antes –, suspeita-se de um “hematoma intracraniano” ou de uma “trombose cerebral” e existe forte possibilidade do doente entrar em coma a qualquer momento. Feitos exames nos hospitais dos Capuchos e de S. José, não há lugar a um diagnóstico conclusivo. Salazar segue depois para o Hospital da Cruz Vermelha em Benfica onde fica internado.
Entretanto, vários notáveis do regime são informados do sucedido e dirigem-se ao Hospital inquietos com o estado de saúde de Salazar e suas implicações políticas. Os médicos sugerem uma intervenção cirúrgica que será decidida por Bissaia Barreto (médico e amigo pessoal do doente) e Eduardo Coelho. Na cirurgia é diagnosticado um “hematoma intracraniano subdural crónico.” Feita aquela, Eduardo Coelho terá afirmado que estava o “problema resolvido”. Não estava.»

"Caixa" de um artigo sobre a "Queda" do presidente do Conselho. A publicar, um destes dias, nos Anos de Salazar distribuídos pelo Correio da Manhã e pela Sábado.

1.8.08

Violência de Quê?

Uma rapariga espanca outra que acaba por ser deixada sem sentidos num pequeno parque de uma vilória situada nos arredores de Madrid. Uma terceira filma a cena no telemóvel. Outras riem e aplaudem o feito. Em Espanha não se fala de outra coisa, mas parece que, afinal, o "crime" não teve quaisquer contornos racistas, apesar da vítima ser equatoriana, facto que deixa uns aliviados e outros sem bodes expiatórios politicamente correctos. De qualquer modo, a culpa pelo sucedido é, com toda a certeza, da sociedade e o futuro é das mulheres.

Caruso: Avé Maria de Gounod

31.7.08

Três grandes cabeças comentadoras do regime que temos - Sousa Tavares, Bettencourt Resendes e Carlos Magno - não perceberam, ou fizeram que não perceberam, a relevância da comunicação que Cavaco Silva fez hoje ao país por causa das questões políticas sérias que suscita o novo estatuto autonómico dos Açores e no qual, valha a verdade, ninguém tinha, aparentemente, reparado. É pena esta desclassificação a três, porque aquele novo estatuto pretende mudar a arquitectura do regime – nomeadamente mexendo em poderes do presidente da República sem que antes se altere, como se poderá fazer na Assembleia da República, a Constituição.
Por outro lado, convém recordar que a saúde de um país não se mede apenas pelo estado da economia ou das finanças públicas e pela percentagem de desempregados, temas sobre os quais Cavaco Silva tem pensamento e preocupações que já manifestou mais do que uma vez.
Há depois outras leituras que se podem fazer sobre as razões de Cavaco Silva. Mas por agora fiquemos por aqui na certeza de que os verdadeiros problemas na cada vez mais difícil relação entre o Estado e as autonomias nunca começou nem acabou na Madeira, no PSD-Madeira e em Alberto João Jardim. Por isso, hoje ao jantar houve quem se visse obrigado a engolir uns quantos sapos e passará o serão com copos de digestivos na mão.

Les beaux esprits s’encontre?


O governo regional da Madeira prepara-se para passar a regular administrativamente os preços dos combustíveis naquele arquipélago. Aguarda-se com expectativa o apoio do Bloco de Esquerda a esta medida. Apoio esse que não pode deixar de parte a realização de uma manifestação de desagravo a Alberto João Jardim encabeçada por Louçã, Fazenda e as senhoras deputadas do estrénuo grupo parlamentar da mais esquerdista de todas as formações políticas portuguesas.

30.7.08

Caminhos da Memória




O blogue "caminhos da memória" tem vários méritos. Mas o maior é recordar-nos, à medida que atentamente o vamos percorrendo, que a primeira e a única vez que os portugueses estiveram à beira - mesmo à beira - de viver num país onde vigoraria um regime totalitário, foi no ano e meio que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.

Magalhães

29.7.08

A "Madeirização" dos Açores.

O "chumbo", pelo Tribunal Constitucional, de oito artigos que compõem o novo estatuto autonómico dos Açores é, no imediato, uma importante derrota política e pessoal para Carlos César. Vejamos agora de que forma o presidente do Governo Autónomo dos Açores poderá e saberá fazer das suas fraquezas forças e transformar o triunfo de "Lisboa" numa vitória de Pirro.
Mas note-se, sobretudo, como os Açores e Carlos César estão cada vez mais no conteúdo, e talvez também na forma, próximos da Madeira e de Alberto João Jardim.