7.8.08

Pergunta Óbvia (2)

Há uma cruzada no Diário de Notícias contra a Presidência da República e contra Cavaco Silva?

6.8.08

"O Chato e o Bébé" ("Contemporâneos")

Descubra as Diferenças

Segundo o Público de hoje, que para o efeito ouviu Mota Amaral, em Setembro de 1986, e quando era presidente da República, Mário Soares vetou o então novo “estatuto político-administrativo” dos Açores aprovado por unanimidade na Assembleia da República. O dito documento foi vetado politicamente por Soares, depois deste de ter recebido e ouvido em Belém chefes militares que manifestaram a sua preocupação para com um importante e perigoso detalhe que constava do dito documento: o “tratamento equivalente entre a bandeira dos Açores e a bandeira nacional.” Como se não bastasse, o seu veto político foi feito em directo na RTP com uma declaração ao país, tendo o “hino nacional” marcado “o início e o fecho da intervenção presidencial.”
Em resumo, pode-se concluir que a diferença entre aquilo que fez Cavaco, no fim do mês passado, e aquilo fez Soares, há quase 19 anos, está na época do ano. Setembro, ao contrário de Julho, presta-se indiscutivelmente a que os chefes de Estado façam “comunicações ao país”.

5.8.08

Ódios de Estimação


Mário Soares, alinhavando uns argumentos absurdos, dedica hoje um artigo de "opinião" no Diário de Notícias aos seus dois ódios de estimação: Cavaco Silva e George W. Bush. Esperemos que desta forma o ex. presidente vá para férias, ou fique de férias, mais aliviado.

3.8.08

A Queda

«No dia 3 de Agosto de 1968, Salazar encontrava-se no Forte do Estoril e ali esperava permanecer até aos primeiros dias de Outono. Naquela data, um Sábado, recebeu às nove da manhã o seu pedicuro Augusto Hilário. A paixão de Salazar pela leitura de jornais e o facto de Augusto Hilário trazer consigo o Diário de Notícias seriam fatais. Salazar pede o jornal e distraído pela leitura em que imediatamente se embrenha tenta, atirando o corpo para trás, sentar-se numa das cadeiras de lona que se encontrava no terraço do Forte. Se durante décadas foi versão corrente que ao sentar-se, sob o peso do seu corpo e do impulso levado por este, a cadeira se teria partido e Salazar caído, batendo de seguida violentamente com a nuca no solo, Fernando Dacosta sustentou recentemente que o presidente do Conselho se terá deixado cair para trás, falhando a cadeira e produzindo o acidente que se revelaria fatal. Apesar de instado pela sua governanta, Salazar não aceitou ver um médico. Pede ainda que o incidente não seja revelado. Só a 6 é observado pelo Dr. Eduardo Coelho e nada foi diagnosticado. Nesse dia e nos seguintes a rotina mantém-se. Encontra-se com Américo Thomaz e continua a discutir os detalhes da remodelação governamental que se consumou a 19 de Agosto.
Só no dia 6 de Setembro o estado clínico de Salazar é reavaliado pelo neurocirurgião António de Vasconcelos Marques. Após uma primeira observação no Estoril – na sequência de um agravamento do estado de saúde de Salazar ocorrido dias antes –, suspeita-se de um “hematoma intracraniano” ou de uma “trombose cerebral” e existe forte possibilidade do doente entrar em coma a qualquer momento. Feitos exames nos hospitais dos Capuchos e de S. José, não há lugar a um diagnóstico conclusivo. Salazar segue depois para o Hospital da Cruz Vermelha em Benfica onde fica internado.
Entretanto, vários notáveis do regime são informados do sucedido e dirigem-se ao Hospital inquietos com o estado de saúde de Salazar e suas implicações políticas. Os médicos sugerem uma intervenção cirúrgica que será decidida por Bissaia Barreto (médico e amigo pessoal do doente) e Eduardo Coelho. Na cirurgia é diagnosticado um “hematoma intracraniano subdural crónico.” Feita aquela, Eduardo Coelho terá afirmado que estava o “problema resolvido”. Não estava.»

"Caixa" de um artigo sobre a "Queda" do presidente do Conselho. A publicar, um destes dias, nos Anos de Salazar distribuídos pelo Correio da Manhã e pela Sábado.

1.8.08

Violência de Quê?

Uma rapariga espanca outra que acaba por ser deixada sem sentidos num pequeno parque de uma vilória situada nos arredores de Madrid. Uma terceira filma a cena no telemóvel. Outras riem e aplaudem o feito. Em Espanha não se fala de outra coisa, mas parece que, afinal, o "crime" não teve quaisquer contornos racistas, apesar da vítima ser equatoriana, facto que deixa uns aliviados e outros sem bodes expiatórios politicamente correctos. De qualquer modo, a culpa pelo sucedido é, com toda a certeza, da sociedade e o futuro é das mulheres.

Caruso: Avé Maria de Gounod

31.7.08

Três grandes cabeças comentadoras do regime que temos - Sousa Tavares, Bettencourt Resendes e Carlos Magno - não perceberam, ou fizeram que não perceberam, a relevância da comunicação que Cavaco Silva fez hoje ao país por causa das questões políticas sérias que suscita o novo estatuto autonómico dos Açores e no qual, valha a verdade, ninguém tinha, aparentemente, reparado. É pena esta desclassificação a três, porque aquele novo estatuto pretende mudar a arquitectura do regime – nomeadamente mexendo em poderes do presidente da República sem que antes se altere, como se poderá fazer na Assembleia da República, a Constituição.
Por outro lado, convém recordar que a saúde de um país não se mede apenas pelo estado da economia ou das finanças públicas e pela percentagem de desempregados, temas sobre os quais Cavaco Silva tem pensamento e preocupações que já manifestou mais do que uma vez.
Há depois outras leituras que se podem fazer sobre as razões de Cavaco Silva. Mas por agora fiquemos por aqui na certeza de que os verdadeiros problemas na cada vez mais difícil relação entre o Estado e as autonomias nunca começou nem acabou na Madeira, no PSD-Madeira e em Alberto João Jardim. Por isso, hoje ao jantar houve quem se visse obrigado a engolir uns quantos sapos e passará o serão com copos de digestivos na mão.

Les beaux esprits s’encontre?


O governo regional da Madeira prepara-se para passar a regular administrativamente os preços dos combustíveis naquele arquipélago. Aguarda-se com expectativa o apoio do Bloco de Esquerda a esta medida. Apoio esse que não pode deixar de parte a realização de uma manifestação de desagravo a Alberto João Jardim encabeçada por Louçã, Fazenda e as senhoras deputadas do estrénuo grupo parlamentar da mais esquerdista de todas as formações políticas portuguesas.

30.7.08

Caminhos da Memória




O blogue "caminhos da memória" tem vários méritos. Mas o maior é recordar-nos, à medida que atentamente o vamos percorrendo, que a primeira e a única vez que os portugueses estiveram à beira - mesmo à beira - de viver num país onde vigoraria um regime totalitário, foi no ano e meio que se seguiu ao 25 de Abril de 1974.

Magalhães

29.7.08

A "Madeirização" dos Açores.

O "chumbo", pelo Tribunal Constitucional, de oito artigos que compõem o novo estatuto autonómico dos Açores é, no imediato, uma importante derrota política e pessoal para Carlos César. Vejamos agora de que forma o presidente do Governo Autónomo dos Açores poderá e saberá fazer das suas fraquezas forças e transformar o triunfo de "Lisboa" numa vitória de Pirro.
Mas note-se, sobretudo, como os Açores e Carlos César estão cada vez mais no conteúdo, e talvez também na forma, próximos da Madeira e de Alberto João Jardim.

25.7.08

Santiago Apóstolo


O mês de Julho é o mês de Santiago. Hoje foi dia de Santiago apóstolo e em Santiago de Compostela houve, e ainda há, contemplação, luz e festa.

24.7.08

Frivolidades aparte, como foram as referências ao imprescindível empenho dos EUA na luta contra o "aquecimento global" ou à necessidade do derrube dos “muros” que separam países, raças e religiões, Obama foi a Berlim – e à Europa –, fazer um discurso perante 200 mil almas em que pediu mais tropas para combaterem no Afeganistão contra os talibãs e demais terroristas.
Só me pergunto, descontando o eleitoralismo presente nas palavras e nos actos de Obama nesta sua excursão europeia, se ninguém lhe explicou que à Europa e aos europeus a última coisa que se pode pedir são mais tropas e mais dinheiro para as manter em combate…
Por isso, tenho para mim que o homem sabe ao que vem e que quando fala em solidariedade europeia para com o esforço militar dos EUA no Afeganistão está apenas a pensar em alguns votos que poderá arregimentar para as votações de Novembro próximo e em tentar conquistar o benefício da dúvida entre as chefias militares norte-americanas.
Fora isto, que a digressão se faça e continue… Porém, e partir de agora, sem quaisquer concertos em grandes espaços.

23.7.08

Ambientalismo

O “ambientalismo” é uma mensagem e um programa político-ideológico como qualquer outra ou outro. Como todas as ideologias levadas ao extremo assemelha-se a uma espécie de fanatismo religioso que pretende condicionar ao milímetro a vida de cada mortal. Gostava por isso que a RTP explicasse porque razão, todos os dias, de segunda a sexta, tem um "minuto verde" no seu noticiário matinal.

22.7.08

Cada Cabeça Sua Sentença.


No Porto, habitantes do bairro do Aleixo manifestam-se protestando contra a sua "reinstalação" no centro histórico daquela cidade. Esta tarde, na SIC Notícias um "representante", ou "porta-voz", da comunidade "Romani", reclama a reinstalação dos "mais desfavorecidos", começando pelos "ciganos", no centro das cidades. É definitivamente difícil tentar perceber este pobre país e quem o habita.

20.7.08

Tribunal de Haia

Há para aí um mandato de captura sobre o inenarrável presidente do Sudão. O dito mandato tem origem no Tribunal Internacional de Haia. Só é pena que não haja uma polícia "internacional" capaz de fazer executar o mandato, porque assim fica tudo na mesma. No entanto, e apesar da existência do citado Tribunal ser uma coisa tão difícil de explicar como de perceber, nem percebo a razão pela qual em Haia não se emitem mais uns mandatos inconsequentes. O Tribunal mostrava-se produtivo, justificava os recursos que consome e ficávamos com mais umas certezas em relação a um conjunto de personagens que andam por esse mundo e não são nada recomendáveis. Sendo as coisas como são resta a certeza de que em Haia os procuradores se preocupam agora apenas com aquilo que se passa no Sudão, depois de terem cingido a sua acção à instrução de processos a personagens oriundas da antiga Jugoslávia. E claro, sempre observamos as reacções solidárias dos amigos “árabes” do Sudão e do seu inominável presidente.

Energia Nuclear


Resumo de uma entrevista dada por Marcello Caetano à United Press. Resumo da autoria do primeiro secretário da Embaixada dos EUA em Lisboa, Joseph John Jova.
Speaking of nuclear developments: He [Marcello Caetano] mentioned Portugal’s contribution through its deposits of uranium; he said he was certain that further prospecting now underway under Government auspices would disclose even more important deposits; he hoped that in a short time Portugal would put into operation its first atomic reactor.”
Despacho n.º 468 da Embaixada dos EUA em Lisboa para o Departamento de Estado em Washington. 8 de Março de 1956. GRDS, 1955-1959. Caixa n.º 3409 (753.00(W)/3-856).