20.3.08
Quando, a propósito do 5.º aniversário do início da guerra no Iraque, muitos velhos "falcões idealistas" se transformaram, num passo de mágica, em raposas "realistas", o primeiro-ministro Gordon Brown anunciou que, num gesto pleno de senso comum, se vai encontrar com o Dalai Lama no próximo mês de Maio no Reino Unido. Faz bem. É que não só uma diplomacia (também) com princípios nunca fez mal a ninguém, como aquilo que se está a passar no Tibete e em algumas províncias chinesas ocidentais pode não ser apenas mais do mesmo. Muita coisa está a mexer-se no Império do Meio. E não é apenas a economia.Nacionalizações na Banca
Ainda há algumas, poucas, opções em cima da mesa para tentar travar a crise que atravessam muitas das grandes instituições financeiras norte-americanas (e não só). Se essas opções falharem, resta uma cada vez mais provável: a nacionalização de muitas daquelas instituições (à semelhança do sucedido com o Northern Rock no Reino Unido). Está tudo aqui e não deixa ser curioso, irónico e realista... A nacionalização pode ser o passo mais seguro e racional para salvar o capitalismo.17.3.08
Comparações
Descobri hoje que Salazar foi, durante 36 anos, presidente do Governo Regional da Madeira. Só a partir desta dedução sou capaz de perceber comparações que têm tanto de mau como de pouco imaginativo.14.3.08
Sou Geraldine Ferraro
Gerldine Ferraro, ao afirmar que Obama está onde está nas primárias democráticas apenas por causa da cor da sua pele, disse o óbvio. Mas como vivemos, mais do que nunca, numa época em que não se pode dizer aquilo que entra pelos olhos de todos os que querem e podem ver, sobretudo se é politicamente incorrecto, Ferraro acabou renegada por Hillary Clinton (que talvez tenha também constatado que pode estar onde está, e como está, apenas por ser mulher). Em dias como estes, e imodéstia à parte, sou Geraldine Ferraro.
10.3.08
O PSOE e Zapatero ganharam ontem as eleições espanholas. No entanto, e apesar do triunfo, os vencedores não tiveram a maioria absoluta que chegaram a pedir e viram os seus amigos nacionalistas de esquerda e de centro-direita descerem em número de votos e de deputados (excepto a CiU). Os comunistas, da Esquerda Unida, também desceram muito significativamente pagando a sua ingenuidade e estupidez política. Ou seja, identificaram-se tanto com muitas políticas do PSOE e apoiaram-no tanto em situações em que podiam perfeitamente ter ficado calados ou falado muito menos – nomeadamente na questão do diálogo com a ETA e nos ataques ao PP por causa do terrorismo – que grande parte do seu eleitorado não teve quaisquer problemas em emigrar para os socialistas.Resumindo, o PSOE subiu crescendo sobretudo à esquerda e reforçando a sua posição junto de eleitorado que normalmente vota… PSOE. Viu ainda aumentar o número de votos por causa de algumas políticas sociais que os comunistas poderiam ter feito. Também subiu a sua votação por que muito eleitorado menos fiel aos nacionalistas do País Basco, da Galiza e da Catalunha (refiro-me à ERC) vê agora em Zapatero e no PSOE os intérpretes e os executantes de boa parte dos programas e das agendas daquelas formações políticas. Ganharam-se votos que facilmente seriam conquistados e se perderão à menor tergiversação.
Isto quer dizer que foi uma parcela do centro do eleitorado que acabou por alimentar o crescimento do PP, o que significa que é aí que, no futuro, a direita espanhola deverá crescer para poder voltar ao Governo em Madrid e para reconquistar posições perdidas em governos autónomos como o galego. Por outro lado, ficou bem patente que o seu discurso “crispado” tem uma importante base de apoio social e cultural No entanto, e como é bom de ver, o PP perdeu. Mas perdeu honrosamente porque subiu e, portanto, não se deixou encurralar, ou melhor, muitos eleitores não permitiram que fosse encurralado à direita como formação política e ideologicamente sectária. O seu discurso, a sua prática política, a sua ideologia e a sua liderança recolhem grandes apoios, e colherá ainda mais quando se perceberem no segundo mandato de Zapatero as intenções deste no domínio da política autonómica, a sua incapacidade para projectar uma forte política externa espanhola ou, e sobretudo, a sua impotência para enfrentar com êxito os problemas económicos que já chegaram e as questões sociais graves que daqueles decorrerão como, e sobretudo, o desemprego. Convém aliás não esquecer que Zapatero prometeu criar 2 milhões de postos de trabalho em quatro anos.
De qualquer modo, a estratégia de guetização do PP que o PSOE tem levado a cabo desde que regressou ao poder não apenas fracassou como acentuou uma bipolarização que a prazo favorecerá mais o PP do que os socialistas. Isto porque o PSOE facilmente perderá votos à sua esquerda, caso as coisas corram mal – ou menos mal –, do que o PP ao centro.
Não sabemos o que irá acontecer nos próximos anos no que respeita às questões nacionais, ao terrorismo e, sobretudo, à economia. Porém, em 2012, e caso Zapatero e PSOE se aguentem no poder até lá, o PP tem francas possibilidades de chegar ao Governo. Resta saber que Espanha haverá em 2012.
P.S.: Diz-se que a Igreja Católica espanhola também saiu derrotada nestas eleições. É capaz de ser verdade, mas também não me parece que os bispos estejam muito preocupados com esse facto. Convém recordar que a Igreja Católica tem quase dois mil anos. Além disso, quantos processos de laicização radical das sociedades foram invertidos e subvertidos desde 1789?
8.3.08
Que Fazer?
A manifestação de hoje em Lisboa, que terá contado com a presença de quase 100 mil professores (não descontando os que nela participaram mas não dão nem nunca deram aulas na vida), não causa apenas sérios problemas ao Governo e ao PS. Provoca também dificuldades àqueles para quem tudo correu pelo melhor: os docentes e os sindicatos. Digo isto, pela simples razão de que os grandes protagonistas do dia estão confrontados com um problema e uma pergunta muito simples e leninista na formulação, mas difícil na resposta. O que fazer com a vitória política desta tarde? Se sindicatos e professores não responderem ou responderem mal ao problema e à pergunta tudo terá sido em vão.
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Professores; Governo; Manifestação.
7.3.08
Os Desempregados dos Outros

A economia norte-americana perdeu 63 mil empregos em Fevereiro último. Se George W. Bush fosse Sócrates, saberia certamente como transformar uma tragédia económica e social e um importante problema político num caso de sucesso para o país e para a sua Administração.
Já agora, e para que conste, em Espanha o número de desempregados cresceu em 53 mil no mesmo mês de Fevereiro. Comparem-se os EUA com Espanha e facilmente se percebe onde é que, de facto, existem sérios e graves problemas económicos. Compreende-se por isso a razão pela qual Zapatero anda prometer em campanha a criação de 2 milhões de empregos. Tem um grande problema entre mãos e acha que aprendeu alguma coisa com Sócrates.
Já agora, e para que conste, em Espanha o número de desempregados cresceu em 53 mil no mesmo mês de Fevereiro. Comparem-se os EUA com Espanha e facilmente se percebe onde é que, de facto, existem sérios e graves problemas económicos. Compreende-se por isso a razão pela qual Zapatero anda prometer em campanha a criação de 2 milhões de empregos. Tem um grande problema entre mãos e acha que aprendeu alguma coisa com Sócrates.
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Espanha; EUA; Economia; Desemprego.
6.3.08
O Predestinado
No debate da passada segunda-feira entre Zapatero e Rajoy, ficou claro que o presidente do PSOE e actual (e futuro) presidente do Governo espanhol só pensa em poder voltar a dialogar com a ETA. Este fortíssimo desejo terá várias explicações, mas uma delas parece-me óbvia. Zapatero, sabe-se lá porquê, considera-se um predestinado no que respeita à resolução do problema do terrorismo em Espanha e, por isso, imputa não à ETA mas ao PP e a Rajoy o fracasso da sua política antiterrorista dos últimos quatro anos.Para além de tudo isto, e como é óbvio, convém recordar que os predestinados são um perigo para qualquer sociedade e para qualquer sistema político.
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Zapatero; ETA; Política Antiterrorista.
A Entrevista da Ministra
Ouvi hoje na TSF a notícia da morte de Joel Serrão. Não me admirei. Há vários anos que se encontrava muito doente. Fui seu aluno de mestrado antes de ter assentado praça na EPI em Mafra no longínquo ano de 1989. Quando regressei à Universidade foi para frequentar outro mestrado, mas as aulas de Joel Serrão foram inesquecíveis, apesar de na altura o coordenador do Dicionário de História de Portugal não possuir já o vigor de outros tempos.Mas antes de Joel Serrão, faleceram outros excelentes professores da minha licenciatura e/ou mestrado em História dos Séculos XIX e XX na FCSH-UNL. Primeiro foi João Cordeiro Pereira, excelente comunicador e inteligência superior. Depois, Luís Krus, um dos mais notáveis medievalistas portugueses da sua geração. A seguir, Oliveira Marques meu professor de História de Portugal Medieval e de História de Portugal Contemporâneo. Finalmente, e há bem pouco tempo, faleceu a professora Sacuntala de Miranda que publicou umas memórias e vários estudos de história económica e social tão fascinantes como importantes e despretensiosos. Todos eles morreram precocemente ou ficaram "inutilizados" demasiadamente cedo. Parece-me uma praga, e como todas as pragas há no desaparecimento de cada um deles qualquer coisa de inexplicável. Fica a memória e os livros e artigos de cada um deles para ler e reler. Consola, mas pouco!
27.2.08
A entrevista
A entrevista de ontem de Menezes na SIC Notícias – a que não assisti – parece que produziu, segundo as manchetes de hoje, duas importantes e muito esperadas declarações.a) Que Menezes deposita em Santana Lopes toda a confiança política, ao mesmo tempo que o vê como um líder parlamentar muito competente.
b) Que quando for primeiro-ministro, Menezes compromete-se a que a televisão pública deixará de ter publicidade.
Os sociais democratas e o país podem estar descansados. Menezes é homem de visão e com ampla capacidade de liderança. Aliás, como grande estadista que é, e ao que parece, Menezes nada disse de substantivo sobre temas menores como a economia, o desemprego, o ensino ou a saúde.
26.2.08
Prémio SoccerEx (actualizado)
Este homem ainda nos vai dar muitas alegrias...Adenda: O desmentido da notícia acima está aqui e é feita por Jorge Jesus que confundiu a entrega de um convite para assistir a uma cerimónia com a atribuição de um prémio.
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Jorge Jesus; "os Belenenses"; SoccerEx.
25.2.08
Zapatero-Rajoy
O debate desta noite em Espanha, opondo os dois principais candidatos à presidência do Governo daquele país, foi não só interessante como importante. Importante porque retomou uma prática interrompida durante várias legislaturas e usou uma metodologia de debate equilibrada entre a máxima liberdade e o controle mínimo mas eficaz do papel a desempenhar pelo moderador e das tentações monopolizadoras do discurso por parte dos dois contendores. Foi também importante por ter sido um debate esclarecedor quanto à forma como Zapatero e Rajoy entendem o país que pretendem governar, embora muito menos quanto à apresentação e discussão de programas de Governo.Sucede que política e ideologicamente Zapatero e Rajoy têm um entendimento muito diferente daquilo que foi, é e deverá ser a Espanha. Apesar de potencialmente polarizadoras da sociedade espanhola, as diferenças existentes entre PP e PSOE e entre Rajoy e Zapatero são estimulantes e fizeram-me ver pela primeira vez que a democracia espanhola e sociedade espanhola perderiam a prazo alguma coisa se ambos aqueles líderes se posicionassem mais ao centro. Ou seja, em Espanha há posições claras e divergentes sobre os mais variados temas e tal facto, ao qual Rajoy e Zapatero dão corpo e voz, só enriquece uma sociedade e um sistema político democrático.
Quanto aos detalhes, e apesar do simplismo propositado, pareceu-me que Rajoy olha para a Espanha enquanto estado e nação nascidos e consolidados pela vontade e pelo esforço desenvolvido a partir do reinado dos reis católicos. Pelo contrário, a Espanha “plural” de que Zapatero fala e vai tentando construir, pareceu-me hoje, como nunca, a Espanha medieval anterior aos reis católicos. Este facto é importante em si mesmo, para a Espanha, para os espanhóis e, pelo menos, para a Europa. Mas é também importante para Portugal, porque caso essa espécie de Espanha medieval possa ser restaurada pelo PSOE de Zapatero, a posição e o papel de Portugal em Espanha (aqui como sinónimo de Península Ibérica) alterar-se-á substancialmente. Zapatero mostrou ainda todo o seu optimismo e a sua crença (penso que não será cínica) na bondade de todos os homens e mulheres. Até nisto é um socialista e um homem de esquerda. Rajoy, pelo contrário, é um pessimista, ou, se quisermos, um realista. Tal ficou bem evidente na forma, por vezes exagerada, como analisou e comentou a realidade da imigração em Espanha.
Quem viu o debate percebeu também que Zapatero e o seu Governo puderam gozar uma conjuntura económica que o PP de Aznar preparara para o PP com Rajoy à frente do Governo. Também se viu Zapatero fazer tanta oposição aos oito anos dos governos de Aznar, como Rajoy fez aos quatro anos do governo de Zapatero. Rajoy não devia ter falado como falou das vítimas do terrorismo, mas esteve quase sempre bem na forma como atacou Zapatero, sendo particularmente incisivo no modo como criticou a política de educação do PSOE baseada que é em chavões político-ideológicos em que, infelizmente, a motivação, e não o esforço, se considera serem a chave do sucesso. Talvez porque teve sempre a primeira palavra e Zapatero a segunda (ou a última), pôde Rajoy ser tão assertivo nas perguntas, nas críticas e nas análises. Isto é tanto mais surpreendente quando Rajoy é menos mediático do que Zapatero e está habituado a perder (quase) todos os debates que fez com o chefe do Governo no parlamento de Madrid. Finalmente, gostaria de deixar uma nota para sublinhar que cada vez mais em Espanha o grosso de muitas políticas sociais são feitas ao nível regional e local. Disso deu conta Rajoy ao tentar e conseguir (?) demonstrar a Zapatero e aos eleitores espanhóis que, por exemplo, no domínio da habitação social ou do apoio aos cidadãos “imobilizados” o Governo da Comunidade de Madrid ou a Câmara Municipal de Madrid fazem tanto ou mais do que o Governo para toda a Espanha. E já me esquecia. A “Europa”, em si mesma, esteve ausente do debate. Uma prova de que os silêncios são mesmo muito importantes.
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Zapatero; Rajoy; Espanha; Eleições; Debate.
Simone
Hoje, Simone de Oliveira celebra, num espectáculo em Lisboa, 50 anos de carreira. Abaixo ouça-se uma singela homenagem que evoca tempos mais sóbrios.
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Simone; "Desfolhada"; "Sol de Inverno".
19.2.08
Aguentar

Com o país político, económico e social absolutamente de rastos, salva-me da depressão a boa performance dos "Belenenses" no Futsal e no Futebol. Dá para aguentar. Mas suspeito que nem a "bola" me dará alegrias por muito mais tempo.
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Aguentar; "os Belenenses"; Futsal; Futebol.
Vinte anos passados
Da manifestação de professores no passado Sábado à porta da sede do PS no Largo do Rato em Lisboa, que acompanhei na TV, guardo, além das tão infelizes como recorrentes declarações do nosso primeiro-ministro na qualidade de SG do seu partido (?), uma imagem da minha colega de licenciatura, Lurdes F., a "insultar" quem passava à sua frente. Foi bom saber que a Lurdes está viva e bem viva e que continua combativa como nos tempos da nossa licenciatura em História na FCSH da UNL. Na altura, politicamente, nunca estávamos de acordo. Agora estamos. Sócrates e este Governo têm destas coisas.Pelo meio passaram quase, quase, vinte anos. Vinte e dois, se fizer a média entre o início e o fim da licenciatura.
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Sócrates; PS; Lisboa; Lurdes F.; FCSH; UNL.
15.2.08
Cavaco Silva visita a Jordânia
Cavaco Silva iniciou uma visita oficial à Jordânia. É a primeira vez que um chefe de Estado português visita aquele país. O actual presidente da República põe assim a nu uma falha tão inesperada como surpreendente nos dois mandatos presidenciais de Mário Soares.
Foto: A Rainha Rania Al-Abdullah
13.2.08
Primárias Republicanas: Texas.
"Again, what I find interesting to contemplate is the effect that the Texas vote will have on the immigration issue. It has been posited that Sen. McCain’s position, which conservatives in his party believe to be too soft, had hurt him in his home state of Arizona — which he eventually won, handily.I still believe that immigration will be, if not the defining issue of the race for president, certainly among of the top three concerns. And I still believe that anyone who believes that we are going to deport 12 million illegal immigrants is horribly naïve. Not going to happen.
But restrictions and an eventual halt to illegal immigration are within reach.
I believe Texans know that fact, and I believe Texans must acknowledge how much the residents of the state depend upon work from illegal immigrants. I am guessing that our voters will not align themselves with those in Arizona in the GOP who voted against McCain for his stance.
Here is what Washington Post reporter Jonathan Weisman wrote just prior to the Iowa caucus: “No issue has dominated the Republican presidential nomination fight the way illegal immigration has.”
In the weeks that followed Iowa, other issues have fought for headline space, issues such as the war and the economy. Believe me, immigration has not vanished. It will be back in the primaries ahead of us, and it will be a key in the national election.
Texas may prove to be a barometer of just how much importance the candidates need to attach to this issue."
Richard Connor, Fort Worth Business Press. 11 Fevereiro de 2008.
Foto: "Businesses Area", Fort Worth, Texas.
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