25.9.07

Dúvida

Afinal quem é que actua hoje à noite no Estádio Nacional. Os Police ou os Pólice?

23.9.07

Diálogo


Pai: Fizeste uma defesa em grande estilo!
Filho: O que é "estilo"?

22.9.07

Nunca chegou tão cedo.

Este ano chegou cedo. Os primeiros sintomas anteontem. Ligeiras dores de cabeça; mal-estar; cansaço; um pouco de febre; expectoração; pingo no nariz; tosse. É a gripe e estou com uma.

20.9.07

Luca Toni



Mesmo tratando-se do Bayern de Munique, custa perder 1-0. Sobretudo, quando a bola entrou na baliza de Costinha na sequência de um remate executado por um jogador que se chama Luca Toni.

Cegueira ideológica e teimosia política

Se foi para apaziguar o terrorismo islâmico, e tudo indica que sim, que com Zapatero no Governo o Estado espanhol retirou as suas tropas do Iraque, é óbvio que se tratou de uma opção que produziu resultados inglórios. Confirmam-no as declarações mais recentes produzidas por uma espécie de porta-voz da Al-Qaeda (Ayman al Zawahiri) e nas quais os espanhóis e a Espanha são declarada e inapelavelmente acusados e ameaçados.
Repete-se assim na frente externa e com a Al-Qaeda aquilo que sucedera internamente e com a ETA. Trocam-se aliados certos – EUA e PP – por inimigos imprestáveis. Tudo por cegueira ideológica e teimosia política.

RTP no Allianz Arena

A partir das seis da tarde lá estarei colado ao ecrã vendo as imagens retransmitidas pelo canal público da televisão portuguesa desde Munique. Espero surpresas agradáveis, por mais improváveis que possam ser. Ou seja, que “os Belenenses” não percam por muitos!
Foto: Daily Mail
Na saída de José Mourinho do Chelsea impressiona-me a dimensão global que o acontecimento assumiu. Ver um português assim com tal destaque em tudo quanto é órgão de imprensa escrita, falada e vista é coisa única (ou quase). Desde o Nobel da Literatura que Saramago conquistou que não havia nada assim, embora o treinador português tenha vantagem. É verdade que este “mediatismo” vale o que vale nos tempos que correm. Mas não é fácil de conseguir. Sobretudo porque Mourinho se trata de um homem muito competente no exercício do seu ofício, ainda por cima num mundo que é extremamente competitivo.

19.9.07

Aquilino, o novo inquilino

Por maior que possa ser a qualidade literária da obra de Aquilino Ribeiro, tenho a certeza de que os ossos de pelo menos duas dúzias de escritores portugueses mereceriam, muito mais do que as do autor do Malhadinhas, repousar no Panteão Nacional. Diga-se também que outros tantos já falecidos terão tido qualidade idêntica e, portanto, deveriam já lá estar ou ir a caminho.
Por isso, e a não ser que seja por razões políticas e ideológicas que não discuto e considero legítimas, Aquilino não merece especialmente ficar ao lado de quem quer que seja no Panteão (o mesmo pode ser dito, por exemplo, para o caviloso “presidente-rei” Sidónio Pais).
Mas mesmo por razões políticas (os celebrados “republicanismo” e/ou “antifascismo” de Aquilino), outros escritores seus contemporâneos, ou quase (como Jorge de Sena, Ferreira de Castro, José Rodrigues Migueis ou Soeiro Pereira Gomes), teriam tantos ou mais méritos para merecer a distinção de serem reconhecidos como heróis da pátria, sendo no entanto certo que a muitos deles lhes falta, (in)felizmente, o selo maçónico outorgado pelo Grande Oriente Lusitano e a patine de uma tão presumível como inverosímil participação no assassinato de D. Carlos e do príncipe Luís Filipe.
Tirando esta confusão, não se percebe o motivo pelo qual o escolhido foi Aquilino (amigo íntimo e conterrâneo de Santos Costa), embora muita gente não tenha muitas dúvidas em encontrar vários, tanto por boas como por más razões. Certo é que a opção por Aquilino baralha, e muito, as possibilidades de escolhas futuras naquilo que à da literatura pátria diz respeito. Temo aliás que no futuro, e mais do que seria desejável, o sectarismo político-ideológico comande a prévia escolha dos esqueletos a depositar para as bandas da Feira da Ladra. Isto apesar de lá repousarem os ossos de Carmona, "pedreiro-livre", presidente da República da Ditadura Militar e do Estado Novo entre 1926 e 1951, muitas vezes um importante rosto de uma oposição moderada a Salazar e um dos mais populares chefes de Estado do século XX português.

18.9.07

Inverno Infernal

Independentemente daquilo que Vasco Pulido Valente escreveu este fim de semana no Público, e Fred Halliday há uns meses no sítio opendemocracy, parece óbvio que vem aí um Inverno escaldante, infernal mesmo. O estranho e quase secreto raid israelita na Síria – onde terão sido destruídas instalações nucleares daquele país construídas com tecnologia norte-coreana –; as ameaças francesas ao Irão; a intransigência norte-americana, e também alemã, em relação ao programa nuclear iraniano, já para não falar do ilusório apoio chinês e russo às posições de Teerão; a recessão da economia mundial ao virar da esquina e a continuada subida dos preços do petróleo, tudo isto e muito mais, parece querer juntar-se para garantir que no Inverno que se aproxima nem o Natal, nem o tão desejado novo tratado europeu, tenham grande importância para os ocidentais.
Mas se a guerra é para ter início, que comece bem e cabe melhor para as cores do “ocidente.” Algo que é, diga-se, francamente improvável. Também por isso, melhor seria que pudesse mudar-me já com a família para uma pequena quinta. Talvez fosse a forma menos má de evitar a escassez que aí vem.

17.9.07

Regresso

Regressei, pela primeira vez esta época, ao Estádio do Restelo. Fi-lo na companhia de um amigo benfiquista que costuma dar "azar" aos Belenenses. Quando ao intervalo tudo parecia indicar que a tradição se cumpriria - os Belenenses perdiam e jogavam mal por causa de um meio-campo demasiadamente lento e macio -, o rumo do jogo acabou por virar. Nos segundos 45 minutos os azuis passaram a jogar com maior vontade e rapidez. Ao facto não foi alheio a decisão tomada pelo treinador Jorge Jesus de mexer (bem) na equipa ao tirar Gabriel Gómez, o médio mais recuado, que fez substituir pelo avançado Evandro Paulista (autor do golo do empate). A partir daqui os Belenenses trocaram o 4-4-2 por um 4-3-3. Como se não bastasse, mas foi talvez o mais importante de tudo aquilo que se passou ao intervalo no balneário, Jorge Jesus na curta prelecção aos jogadores fez-lhes ver que deveriam mudar a sua atitude física e mental, devendo passar a jogar com maior rapidez e mais entrega. Dois bons golos de bola corrida e algumas oportunidades desperdiçadas demonstraram que os Belenenses eram e foram melhores do que os de Leiria que, na primeira parte, marcaram um golo que muitos afirmam ter sido irregular, mas que podia ter chegado ao segundo tento num livre directo parado com estrondo pelo poste direito da baliza azul.
Como de costume havia muito pouco público no Restelo. Mas devo confessar que aprecio, pela escassez de gente, os jogos dos Belenenses no seu estádio. É tudo calmo e familiar. Entra-se e sai-se rapidamente e em segurança dos jogos, pode-se tomar um café sem apertos e aceder com extrema facilidade ao WC. Daqui a quinze dias sou bem capaz de lá voltar.

16.9.07

Ajuizar

Como era facilmente previsível vai longa a discussão entre aqueles que “compreendem” ou “contextualizam” e, portanto, percebem o quase murro dado por Scolari a um jogador da equipa adversária no final do Portugal – Sérvia da passada quarta-feira, e os que não lhe perdoam a atitude, pedindo castigo exemplar para o seleccionador dos AA portugueses. Estes, além de reivindicarem a demissão de Scolari, seja por iniciativa do próprio seja por decisão da Direcção da FPF, julgam e condenam apenas com base naquilo que, vá-se lá saber porquê, consideram dever ser um comportamento imaculado por parte de um profissional de um qualquer ofício.
Quando deixei aqui este pequeno texto, apenas quis dizer que o destino de Scolari na FPF estava traçado, mesmo que Portugal possa vir a ganhar o Europeu de 2008. Disse-o, e repito-o. Porém, não me parece, nem me pareceu, que a atitude de Scolari, e sobretudo depois de analisadas as suas circunstâncias, visto o pedido de desculpas feito publicamente e tendo em conta a sua qualidade profissional e os resultados apresentados nos últimos quatro anos à frente da selecção portuguesa, mereça uma pena mais pesada do que uma multa pecuniária e uma advertência por parte da FPF, além de, noutro contexto, uma sanção justa e proporcional a aplicar pela UEFA, mas que, naturalmente, só será tomada depois de recolhida informação que será adequadamente analisada. É, afinal, assim que deve ser quando se trata de julgar e, eventualmente, condenar quem quer que seja ou o que quer que seja.
Toda esta polémica fez-me recordar ainda o exagero, ou a desproporção, das “penas” unilateralmente impostas pela FPF aos jogadores portugueses sub-20 que foram expulsos no derradeiro jogo disputado por Portugal no mundial realizado no Canadá este Verão, mas também reconhecer a capacidade que muitos de nós temos para ser exigentes e intransigentes, radicalmente exigentes e intransigentes, diria mesmo, quando se trata de “avaliar” o comportamento dos outros e exigir-lhes muitíssimo muito mais do que exigimos a nós mesmos ou àqueles de quem gostamos ou com quem nos identificamos.
Ainda assim, estes exageros merecem tudo menos um juízo idêntico por parte daqueles que, como eu, deles discordam. Daí que pense ser suficiente que nos limitemos a – sobretudo ao tratar-se de futebol – demonstrar a incoerência das teses defendidas. Basta ler, entre outras, a posição inflexível e altamente moralista de Daniel Oliveira sobre o caso, mas acima de tudo absurda e incoerente. Eu explico. Sendo público que Daniel Oliveira é um “grande sportinguista”, proponho aqui que se imagine o que ele não terá sofrido até há um par de anos quando, no “onze” da sua equipa do coração, jogavam dois homens que, segundo ele, embora nunca o refira, representam aquilo que mais vil pode existir no desporto-rei. É que no Sporting jogaram durante alguns anos homens como Sá Pinto (que esmurrou Artur Jorge quando este era “seleccionador” nacional) e João Pinto (que agrediu, também ao murro, o árbitro do tristemente célebre Portugal – Coreia do Sul no Mundial de 2002). Acrescentaria mesmo, que dada a natureza desta dupla maravilha, ainda hoje Daniel Oliveira, coerentemente, não contabilizará os títulos que o seu Sporting conquistou enquanto estes artistas da bola vestiram de “lagarto”. E no entanto, todos sabemos que nada disto passou alguma vez pela cabeça de Daniel Oliveira. Mas para que se não pense que algo me move contra o autor do Arrastão e o seu Sporting, apenas sublinho o óbvio. Todos aqueles que inapelavelmente condenam Scolari porque sim, deviam fazer um esforço para encontrar na vida dos seus clubes comportamentos idênticos ou piores do que o de Scolari na passada quarta-feira. Quantos dirigentes, treinadores ou jogadores do nosso clube do coração fizeram do pior que se pode imaginar e nunca mereceram, porque realmente não valia a pena, comentários e juízos tão desconchavados? Exemplos não faltaram e motivos para corar de vergonha ainda menos. Verdade?

14.9.07

Computadores e benzeduras

José Sócrates passará hoje quatro horas em Varsóvia onde tentará, uma vez mais, e provavelmente sem êxito, convencer as autoridades polacas acerca da bondade para a Europa do tratado reformador que estará a ser preparado algures no velho continente.
Como forma de ajudar Sócrates a evitar o fracasso do seu propósito - seu e o dos seus coleguinhas europeus - proponho aqui que repetisse a "performance" ensaiada numa escola pública há um par de dias. Que se benza e entregue aos seus colegas do governo polaco uns computadores portáteis (neste caso, topo de gama com a acesso a banda larga na internet).

12.9.07

Portugal 1 – Sérvia 1


Quando se fará a sucessão de Scolari?
Como se fará a sucessão de Scolari?
Quem sucederá a Scolari?

Minorias

Nunca liguei muito às "minorias", sejam elas nacionais, étnicas, culturais, sexuais ou outras. E no entanto a “humanidade” nunca as ignorou. Fosse por bons ou, sobretudo, maus motivos. Perseguiu-as, humilhou-as, expulsou-as, descaracterizou-as, ou pura simplesmente matou-as. Hoje em dia são tanto vítimas do mais puro racismo e xenofobia, como alimento indispensável de grupos políticos dos mais variados que as perseguem ou dizem pretender protegê-las.
Vem isto a propósito das já muito famosas e comentadas declarações de Maria José Nogueira Pinto. Segundo a “Dra.”, as lojas chinesas, presumo que pela baixa qualidade do serviço prestado e escassa aparência estética e de classe, devem ser removidas da Baixa lisboeta e colocadas numa Chinatown que não se sabe onde ficará. É óbvio que na proposta de Maria José Nogueira Pinto há uma certa dose de racismo e de xenofobia. Mas ela reflecte o sentimento de muitos lisboetas e portugueses, fazendo-nos ainda recordar um tempo em que minorias como a chinesa (embora não em Portugal), a judaica ou a muçulmana conheciam os espaços próprios onde faziam a sua vida, o que acontecia em grandes, pequenas e médias cidades por esse mundo cristão e não só. Valha a verdade que muitas vezes as minorias se autosegregavam, como ainda se autosegregam, o que ajuda a perceber as declarações (à TSF?) de um representante da comunidade chinesa em Lisboa a quem não pareceram mal as propostas ainda informais avançadas pela antiga vereadora do CDS.
É pois perante uma realidade complexa que nos encontramos e sobre a qual não vale a pena tecer grandes considerações de natureza política, social ou moral. Só gostaria de acrescentar que a melhoria do nível dos serviços comerciais prestados na Baixa não depende apenas da remoção do comércio chinês. Desde do tráfico de droga à prostituição, passando por muito comércio nacional, a Baixa é um local onde se concentra aquilo que de pior existe na capital portuguesa. Daí que a remoção do comércio chinês, que presta um serviço à altura do poder de compra de muitos lisboetas, não resolva qualquer problema da Baixa. A eventual saída do comércio chinês da Baixa, sem uma substituição nacional ou estrangeira à altura, caso os portugueses não vejam subida sensível no seu poder de compra nos próximos tempos, acabará por agravar ainda mais o problema da desertificação do centro da capital. É, portanto, um problema de mercado. Aliás, no dia em que os portuguesas estejam mais ricos as lojas chinesas, como existem, terão uma de duas hipóteses. Ou vão para outras paragens por falta de clientela, ou melhoram todos os aspectos do serviço que prestam acompanhando as exigências dos consumidores.

11.9.07

Comboios



Segundo garante um "estudo preliminar", o TGV entrará em Lisboa usando o "canal" utilizado pela linha ferroviária do "Norte." Fica agora a pergunta. Por onde é que entrarão em Lisboa os comboios ditos normais?

Pergunta

Ao que consta, 10 de Outubro será, com objecções polacas, o "dia europeu contra a pena de morte." Pergunto eu, no entanto, se não seria melhor reclamar a pena de morte para esta febre absurda e perigosa que passa por ter um "dia europeu" para (quase) tudo.

Declaração

Sobre o caso Madeleine McCann, enquanto fautor de entretenimento em que não se percebe se a realidade é ficção ou a ficção é a realidade, só tenho uma coisa a declarar em favor da qualidade da intriga, da espessura das personagens e do desenlace da história. Ou bem que há uma vasta conspiração da PJ para ocultar a sua incompetência, incriminando o casal McCann ao fazer uso dos recursos mais odiosos e surpreendentes (logro que conseguirá sustentar até ao derradeiro capítulo), ou então os pais são culpados de homicídio e de ocultação de cadáver. Neste caso haverá lugar na narrativa para o relato de vários pormenores escabrosos acerca da vida e do carácter do casal McCann. Menos do que isto revelar-se-á uma total e perfeita desilusão para aquele que me parece ser maior e mais persistente acontecimento “mediático” de que guardo memória.

8.9.07

Encontros e desencontros

Encontrei hoje num Centro Comercial muito usado por gente que vive em Cascais e arredores, uma amiga que não via há mais de cinco anos. Lá estava eu com o meu filho e ela com a dela. Nem ela conhecia o meu nem eu a dela. Nestes últimos anos apenas falámos pelo telefone e trocámos um ou outro s.m.s. quando as circunstâncias assim o exigiriam. Mas isto não interessa nada. O que importa é o facto de, cada vez mais, encontrar caras amigas ou conhecidas dentro de locais de consumo que são também, quer queiramos quer não, espaços de laser. É verdade que me cruzo com muita gente conhecida e amiga em locais onde trabalho. Mas acabaram, ou quase, encontros em bares, restaurantes ou na praia, já para não falar na rua ou no cinema. Também nisto mudou muito a nossa vida nos últimos cinco ou dez anos. Só gostava de ter uma ideia de como será amanhã. Ficaremos pelos centros comerciais ou virá aí alguma novidade que não seja virtual?

5.9.07

Da União Ibérica

Afinal Saramago tinha razão quanto à inevitabilidade de uma União Ibérica. Só se enganou no timing. Tudo acontecerá muito mais brevemente do que o laureado escritor supunha. Depois de, no passado Sábado, num concurso de danças em jeito de Eurovisão, os portugueses terem atribuído nota máxima (doze pontos) aos concorrentes espanhóis e os espanhóis os mesmos doze aos dançarinos portugueses, hoje a selecção espanhola de basquetebol, campeã do mundo em título, fez o favor de se deixar perder com a Croácia, única forma que a equipa portuguesa tinha de conseguir o seu apuramento para a 2.ª fase do campeonato europeu daquela modalidade a decorrer no país vizinho há três ou quatro dias.
Os cépticos, como todos nacionalistas e patriotas portugueses, dirão que tudo isto não passa de uma triste (ou feliz) coincidência. Posso garantir, depois de aturada análise, que a União Ibérica está mesmo ao virar da esquina (aguardam-se outras “coincidências”) e não é coisa de políticos ou de políticas. Forças poderosas, discretas e, ainda, desconhecidas, movimentam-se por toda a Ibéria e nada as demoverá dos seus intentos.
P.S.: Posso garantir que na futura Ibéria um litro de gasolina sem chumbo 95 se manterá a um pouco mais de um Euro e que a taxa mais alta de IVA nunca ultrapassará os 16%. O que é que dirá Francisco Louçã sobre o assunto?
P.P.S.: A Ibéria será monárquica, excepto nos meses de Verão. É que há anos que a família real espanhola não tem férias a sério. Verão após Verão sempre a navegar e a ser fotografada em Palma de Maiorca. P.P.P.S.: Também não pode ser à toa que Cavaco Silva se deu ao trabalho de considerar "absurda" uma união entre os dois estados ibéricos.

Vão até lá que eu também!

Há já algum tempo o meu colega e amigo de andanças universitárias em Évora e por esse mundo, Helder Adegar Fonseca, tinha-me confessado estar a preparar-se para entrar na blogosfera. Recebi hoje um e-mail do Helder com o nome do blogue: “diário de uma cátedra à janela”. Apesar do nome, estou seguro que nele não se falará de cátedra, excepto quando tiver que ser. Se como historiador o Helder não precisa de apresentações, como académico posso garantir que é, entre outras coisas, e como se poderá ver com o passar do tempo, um dos mais bem preparados e informados sobre a vida universitária portuguesa e europeia. Vão até lá que eu também!

“Animais de Quinta”

Esta notícia no El Mundo acerca do perigo de extinção dos aparentemente inócuos e protegidos “animais de quinta”, não passa afinal da demonstração clara de que o mais evidente e óbvio dos darwinismos acaba por ser não tanto o biológico mas o social. Como se pode ler no apontamento daquele jornal espanhol, tem sido a produtividade de certas espécies de “animais de quinta” que tem tornado dispensáveis e colocado à beira da extinção muitas raças de vacas, porcos ou galinhas e favorecido umas outras poucas.
De qualquer modo, o mais interessante desta notícia reside no facto de nos fazer supor que, mais cedo do que tarde, serão apenas os tipos humanos mais adaptados à dura realidade da vida numa sociedade cada vez mais globalizada, homogénea e competitiva que acabarão por sobreviver. Se assim for tentemos adivinhar se tais sobreviventes poderão vir a ser mais ou menos felizes do que aqueles que, na biodiversidade humana ainda existente, os antecederam e antecedem.


Foto: Um belo exemplar de "Vaca Frísia". De perfil...

4.9.07

Contributo

Esta notícia no El Mundo on-line acerca da "recuperação" pelas autoridades colombianas dos cadáveres de onze deputados mortos na sequência do seu sequestro pelas FARC (aqui está um link para o comunicado emitido pelas FARC após a morte dos citados deputados), é o meu contributo para o debate que segue aqui e ali na blogosfera a propósito da presença de gente daquela organização terrorista latino-americana na festa do jornal Avante!
Devo no entanto acrescentar que não percebo a insistência dos comunistas portugueses na demonstração pública que fazem ano após ano do seu convívio com as FARC. É que o PCP, que teve aqui e ali os seus flirts com a “luta armada” em Portugal e lá fora, foi e é, estruturalmente, uma realidade política muito institucional e legalista.

3.9.07

É interessante e esclarecedor ler, um pouco ao estilo Maria Filomena Mónica, este texto de Fernanda Câncio. Fiquei a saber que a senhora jornalista, em 17 anos, raramente, ou mesmo nunca, tocou no aspirador e na máquina de lavar roupa lá de casa. Quantos comuns mortais, como eu, poderão dizer o mesmo? A partir de hoje terei muito mais respeito e consideração por tudo aquilo que Fernanda Câncio diga e escreva acerca das grandes questões sociais do Portugal de hoje, nomeadamente as respeitantes a toda a sorte de violências de que os mais desprotegidos são vítimas. É que quem não pratica ou não vai a jogo não tem apenas uma perspectiva; tem sempre, isso sim, a melhor das perspectivas.

31.8.07

"The Maias"


O The New York Times Review of Books deste fim de semana, ao menos na sua edição on-line, tem uma pequena resenha sobre Eça de Queirós. Isto por causa da publicação de uma nova tradução em língua inglesa dos Maias ao cuidado de Margaret Jull Costa. Vale a pena a ler, embora se trate de um texto introdutório que faz eco de alguns lugares comuns hoje ultrapassados acerca da vida e obra de Eça. Ainda assim, tanto o trabalho do romancista como, já agora, o Portugal de hoje, saem muito bem na fotografia, não sendo excessivo Alan Riding nos elogios que teceu.

O futuro de Paulo Teixeira Pinto

Já começaram os palpites sobre o que o irá fazer com a sua vida o agora demissionário presidente do BCP, Paulo Teixeira Pinto. O meu é que para o ano aparecerá como rosto, e eventual líder, de uma OPA hostil ao BCP protagonizada por um consórcio internacional em que se encontrará um ou outro vestígio de capital luso - se é que o capital ainda tem pátria. A vitória de Jardim Gonçalves é, também por isso, uma vitória de Pirro.

“L Word”

A RTP 2 está repor, penso que não será a primeira vez, uma série que trata das peripécias amorosas e sexuais protagonizadas por um generoso grupo de lésbicas californianas bem parecidas e de extracção social e cultural aparentemente elevada. Como já sucedia numa série de que vi um par de episódios incompletos e que a RTP 2 também passou há, talvez, um par de anos sobre homens que se dedicavam a ir para cama com outros homens e a apaixonarem-se uns pelos outros – com inevitáveis desencontros pelo meio – cada vez me convenço mais de que a homossexualidade, em si mesma, é uma coisa muito aborrecida e que, no limite, não tem identidade própria, ao contrário do que estabelecem novos hábitos e interesses culturais, económicos e sociais. Talvez por isso, tenha recordado, enquanto quase adormecia a ver parte de um desses episódios sobre as “chicas” da Califórnia, as palavras usadas sistematicamente por alguém mais velho da minha família – uma tia, uma avó, a minha mãe? – quando eu era criança e me dedicava a fazer perguntas então tidas como incómodas sobre sexo e sexualidade. A reposta que ouvia era inevitavelmente sempre a mesma: “Oh filho, essas coisas não existem.” De facto, a homossexualidade, para além do sexo em si, não existe. Demorei 40 anos a perceber…
Nota: Na foto acima, e para informação daqueles e daquelas que adormeceram antes de se ter iniciado qualquer episódio da "L Word", aparecem as suas protagonistas.

Bayern de Munique – “Os Belenenses”

Quando hoje, por volta do meio-dia, ouvi na TSF que no sorteio para a primeira eliminatória da Taça UEFA o Bayern de Munique estava, como cabeça de série, no mesmo grupo do Belenenses tive logo aquela sensação de que o “colosso” bávaro iria calhar ao clube de Belém. Não me enganei. Não porque seja bruxo, mas porque nestas coisas da UEFA o Belenenses já apanhou o Barcelona duas ou três vezes e o Bayern de Leverkusen na primeira eliminatória. Com os catalães o Belenenses foi sempre eliminado por pouco e até chegou a ultrapassar o Leverkusen quando este clube então patrocinado pela Bayer era detentor da Taça UEFA. Treinava então a equipa de Belém o britânico John Mortimore que se destacara ao serviço dos encarnados da segunda “2.ª Circular”. Na altura, e depois de vencidos os germânicos, o Belenenses acabou eliminado pelo Velez Mostar, clube bósnio da ainda Jugoslávia e quando era o único clube português que poderia ter chegado a uma terceira eliminatória das “competições europeias”.
Na sequência do sorteio de hoje, tanto o presidente Cabral Ferreira como o treinador Jorge Jesus não se mostram atemorizados com o nome e o futebol do adversário que saiu na rifa. Fazem bem, espero que tenham razão e que as coisas aconteçam como sugere o “mister” dos meus azuis usando argumentos que não deixam de ter alguma lógica. Para já, presidente e treinador, mostram que estão psicologicamente bem e com capacidade para liderar jogadores e massa adepta sempre muito pouco temerária.
Foto: "Tudo em Jogo".

30.8.07

Bola



Agora que o “Benfica” eliminou, na “pré-qualificação” da Liga dos Campeões, o “difícil” e esforçado “Copenhaga”, quem é que pensa poder vencer na chamada “fase de Grupos”?

Foto: Exemplar de "Milhafre Preto". Câmara Municipal de Santarém.

28.8.07

Se fosse verdade...

Segundo notícia do Público on-line, citando o meu colega Carlos Zorrinho que cita não sei quem, "Portugal sobe três lugares no “ranking” da qualidade dos serviços públicos." Se fosse verdade eu acreditava.

ETA em Portugal? E Depois?

Não sei se há em Portugal uma "estrutura" da ETA tal como parecem pretender as autoridades espanholas. Sei, no entanto, que o Estado português deve fazer tudo aquilo que estiver ao seu alcance para combater o terrorismo, e sobretudo o “etarra”. A não ser, claro, que seja do interesse nunca declarado do Estado português colaborar, de alguma forma, na fragmentação política e "étnica" da Espanha.
De qualquer modo, a excitação aparente manifestada subitamente por parte das autoridades policiais e judiciais espanholas em torno da possibilidade da existência da tal estrutura "etarra" em Portugal apenas me faz pensar que também o Ministério dos Negócios Estrangeiros e o Ministério da Defesa portugueses, tal como o da Administração Interna, devem acompanhar muito de perto as pretensões de cooperação na luta antiterrorista manifestada pelos nossos queridos e únicos vizinhos nos últimos dias.

A SIC na Grécia

Os incêndios florestais ocorridos este Verão na Grécia são uma vergonha e uma desgraça. Não me parece, no entanto, que mereçam o envio pela SIC de uma equipa de reportagem para aquele país localizado no Mediterrâneo oriental. A não, ser claro está, que se esteja perante um caso de manifesto sado-masoquismo, por se dar o caso daquela estação se pretender especializar no tema, ou por, singelamente, desejar, a qualquer preço, ter durante este mês de Agosto grandes incêndios em directo nos seus noticiários (como acabo de chegar de "fora" ignoro se RTP e TVI, ou qualquer outro "órgão de informação" português, também enviaram equipas de reportagem à Grécia). Certo é que à falta de animação por cá recorre-se ao que está mais à mão. Quanto àquilo que o enviado da SIC diz e mostra nos ecrãs apenas me ocorre dizer que nada acrescenta ao que as agências de notícias internacionais vão retransmitindo quotidianamente. Uma patetice, portanto, que talvez o povo português aprecie.

A ETA, o Governo de Espanha e Nós.


Gostava que me explicassem como e por que é que as autoridades policiais e judiciais portuguesas irão colaborar com as homólogas espanholas na luta contra a ETA e pagar um preço político por essa colaboração. Digo isto pela simples razão de que o Governo de Espanha persiste na sua disposição, que ninguém ignora, de negociar e chegar a um entendimento a qualquer preço com o terrorismo basco.

21.8.07

Espanha

O EL Pais, que nao morre de amores por Zapatero, dá hoje "portada"a Gallardón, o "alcalde" do PP em Madrid. Gallardón anda nos últimos tempos a fazer de Luís Filipe Meneses dos "Populares". Ao que parece o edil afirmou que caso o PP nao se "modere", perderá as eleicoes gerais do próximo ano. Descontando o facto de Gallardón nao querer, por nada deste mundo, que o PP ganhe as "gerais" de 2008, porque ambiciona ser presidente do seu partido depois do descalabro que muitos prevêm - o director do el Mundo, por exemplo, suspirava há dias pelo "exilado" Rato - eu só pergunto por que raio se deve o PP moderar, se moderado já ele é, excepto, claro, se considerarmos que defender princípios básicos de uma sociedade aberta e de um sistema político democrático é o cúumulo do radicalismo.

13.8.07

Economia e Financas

Parece que afinal o Banco Central Europeu já nao irá aumentar as taxas de juro na reuniao do próximo mês de Setembro. O presidente do Banco Central Europeu, o inefável Trichet, andava subi-las a pensar na inflacao. Afinal o problema era outro e provocado, em grande parte, pela subida imparável de taxas de juro nos últimos anos. Haverá incompetência maior e mais irresponsável? Será que nao se podem despedir, com justa causa, todos os presidentes de todos os bancos centrais europeus da zona euro, e ainda o do BCE, e entregar os seus empregos a gente que, garantidamente, nada perceba de macroeconomia?

Galiza

Há cinco dias em Ponte Caldelas e arredores. Nem um "preto", nem um "árabe". Será que estou na Europa?

7.8.07

O "Arrastão" na Turquia

Ao ler uma parte do Daniel Oliveira regressado de uma estada de três semanas na Turquia, notei (também eu?) que o autor do Arrastão vem encantado com a direita turca que, ainda por cima, é assim para o confessional. Será que o Daniel esteve num "campo de reeducação"?
P.S.: Confesso que fiz parte daquele numeroso exército que visitou regularmente o Arrastão à espera de encontrar, nem que fosse, um mísero post. É bom saber que não estamos sós.

Cabeças no ar

Descontando os exageros, o que é verdade é que este caso do voo da TAP oriundo da Holanda, desviado para Lisboa e com problemas sérios de transbordo de passageiros na Portela para o aeroporto Sá Carneiro, tudo com a comitiva do FCP a bordo, apenas nos recorda a prepotência usada pela generalidade das companhias aéreas com os seus fregueses. O FCP diz que nunca mais voa na TAP e a TAP já pediu desculpas ao FCP e garante que vai apurar "responsabilidades", até por que o FCP é o FCP. Fica bem à TAP. Mas a verdade é que tudo continuará a ser como antes e andar de avião uma permanente caixa de surpresas, normalmente desagradáveis. Salva-se o facto da aeronave não ter caído.

6.8.07

A avó Francelina

Se fosse viva cumpriria hoje 102 anos. Faleceu aos 98 em Lisboa. Nasceu num lugarejo chamado Barrocal, próximo da vila de São Bartolomeu de Messines. Gostava de João de Deus. Era das mais velhas entre uma dúzia de irmãos dos quais apenas meia dúzia sobreviveu à infância. Os pais morreram com a “pneumónica” logo depois da Grande Guerra. A República não a alfabetizou, mas foi uma das mulheres mais inteligentes que conheci. Ainda criança, deixada ao cuidado de uma avó, foi servir para Tavira. Casou com um sapateiro que se tornou alcoólico e lhe batia de tempos. Todos os dias a sua preocupação era ter como alimentar as filhas. Fugiu de Tavira no início da década de 1950, com três filhas costureiras que tinham estudado até à 4.ª classe. Primeiro esteve na Cova da Piedade, depois mudou-se para Campo de Ourique, em Lisboa, onde foi porteira. Casou a Fausta, a Aline e a Leonarda com, respectivamente, um motorista particular natural de Torres Vedras, um alfaiate de Baleizão e um pequeno comerciante filho de galegos. Os três estavam em Lisboa à espera de conhecerem moças sérias e casadoiras. O meu avô Amândio, que minha avó nunca deixou de amar e respeitar – porque afinal “nunca tinha matado ninguém” – juntou-se-lhe, ainda duas filhas permaneciam solteiras, em Campo de Ourique. Em finais dos anos 60 e início dos 70 levava-me a passear ao Jardim do Ultramar e à Praça do Império. Por essa altura eu visitava ocasionalmente o meu avô numa parte de casa onde vivia com a avó Francelina na Rua do Galvão, freguesia de Santa Maria de Belém. Era então empregada de limpeza num stand de automóveis da Ford juntou à Praça do Chile, e de onde me trazia catálogos impressos em bom papel e com fotos a cores. Fascinava-me o Ford Capri. Sempre votou PS e gostava do "bochechas", mas durante o PREC participou no saneamento do patrão que, anos depois, viu regressar à “empresa.” Reformou-se aos 75 anos com uma pensão mínima que, salvo erro, só a generosidade e a bem dita irresponsabilidade financeira dos mentores do “25 de Abril” e da democracia lhe proporcionaram. Cresci e vivi com ela quase 40 anos da minha vida, excepto quando à noite recolhia à sua “`parte de casa”, eu ia de férias para a Galiza ou ela se ausentava para Messines, normalmente em Setembro. Quando cheguei à adolescência adorava atender telefonemas de namoradas ou amigas minhas. Achava-me um tanto debochado. Conheceu um bisneto e teve dois netos “formados”. Uma vida no século XX português. Sempre a subir. Na geografia e na hierarquia social. Pouco, mas com firmeza e muita determinação. Tenho saudades suas. Um beijo, avó.

Livros & Leituras


Parto a 8. Regresso a 27. Para dar um ar sério aqui ao estabelecimento, informo que para ler nas férias levo: Marcel Timotheo da Costa, Um Itinerário no Século: Mudança, Disciplina e Acção em Alceu Amoroso Lima, Rio de Janeiro – São Paulo, Editora PUC – Edições Loyola, 2006. Uma oferta do autor que conheci e gostei muitíssimo de ouvir na Unisinos em Porto Alegre, já lá vão duas ou três semanas. Ainda sobre o Brasil, e para concluir a leitura, levo um clássico sobre a história contemporânea do “país irmão”: Thomas Skidmore, Brasil: De Getúlio Vargas a Castelo Branco (1930-1964), 14.ª ed., São Paulo, Paz e Terra, 2007. Para reler e escrever alguma coisa sobre, de José Medeiros Ferreira, Cinco Regimes na Política Internacional, 1.ª ed., Lisboa, Ed. Presença, 2006. Ainda para acabar de ler,, na verdade estou ainda a começar, o 2.º volume da série “Children of Violence”, A Proper Marriage de Doris Lessing. Tentarei nada escrever aqui no desconcertante sobre os livros que levo e que vou ler.

3.8.07

O novo estatuto dos jornalistas…

Santos Silva, o mais notável cão de fila do Governo que temos, reagiu ao veto presidencial à nova lei sobre o estatuto dos jornalistas, afirmando que o dito veto não punha em causa o essencial do dito estatuto. É verdade. O veto de Cavaco só dizia e diz, basicamente, que a alteração ao estatuto dos jornalistas proposto pelo Governo e aprovado pelos Srs. deputados do PS era e é, na totalidade, uma merda. Basta ler aqui a “Mensagem do Presidente da República à Assembleia da República, a propósito do diploma que altera o Estatuto dos Jornalistas.” Quanto ao resto, só queria dizer que esta gente que nos governa não tem um pingo de vergonha na cara e, como tal, é perigosa, muito perigosa!

A Independência da Justiça

A notícia do arquivamento pela Procuradoria Geral da República (já agora vale a pena ler estes dois textos de Paulo Gorjão e de João Gonçalves), é o sinal claro de que também em Portugal a justiça é absolutamente independente do poder político. Não acreditam?

Crimes sem castigo

A violação e o assassinato de uma adolescente em Tenerife há um par de semanas, com o homicida confesso já detido, é para mim um sinal claro de que na chamada Europa civilizada crimes como este devem ser punidos com penas a sério. Talvez ainda seja cedo para reclamar a reintrodução da pena de morte. Mas já é tempo de se voltar à prisão perpétua sem perdão. É que não há esperança de nada e para nada.

2.8.07

Exonerações

A não renovação da comissão de serviço a Dalila Rodrigues, directora do Museu Nacional de Arte Antiga, foi justificada por Bairrão Oleiro pelo facto daquela ter criticado as opções do Ministério da Cultura e do Governo para a gestão dos museus e daquele em particular, independentemente dos esplêndidos resultados apresentados pela agora quase anterior equipa (são eles, por exemplo, a grande subida verificada no número de visitantes e o crescimento muito significativo das receitas). Visto o ridículo da coisa, só quero acrescentar que caso a moda pegue ainda veremos o Governo exonerar a grande maioria dos eleitores portugueses pela simples razão de que, também eles, criticam, pública, dura e quotidianamente, as principais opções políticas emanadas de São Bento e demais filiais.

A essência da «democracia “carolinácea”»

É verdade, como pensa e escreve João Gonçalves, que vivemos, e não é de hoje, numa «democracia “carolinácea”». No entanto, a família Salgado não veio para ficar. Outras houve antes dela, e outras lhe sucederão. O povo democrático, aqui como em qualquer outro sítio, na sua vulgaridade, rapidamente se cansará destes Salgados e clamará por outros. Por agora, aqueles que temos, e como muito bem sabem, vão tendo o seu protagonismo e, à custa deste, tentarão encher os bolsos o mais que lhes seja possível. Depois? Depois, outros virão acarinhados pela democracia da vulgaridade e da mediocridade e pelo mercado que tudo cria e tudo devora. Valha a verdade que o fenómeno não me choca. Até por que, e ao menos nestes casos, aceito bem a vida como ela é.

1.8.07

Sexo, 237

Parece que há, ao menos, 237 razões para fazer sexo. Confesso que nunca tinha pensado no assunto e que continuarei a ignorá-lo. Mas para saber mais é ir aqui este sítio da Universidade do Texas em Austin. Os investigadores do projecto ficam todos contentes.

Penas capitais

António Costa, o ex. cabo da GNR acusado de autor de três homicídios e de mais um bom par de outros crimes, foi condenado a uma pena 25 anos, podendo sair em liberdade, mais coisa menos coisa, quando tiver cumprido cerca de metade do tempo previsto (ou ao fim de pouco mais de cinco anos segundo o Correio da Manhã). Sinceramente não percebo uma coisa destas. Ou o nosso sistema e quem o construiu acredita cegamente na extraordinária capacidade de regeneração dos homicidas, ou então tem sérias dúvidas quanto à qualidade da investigação criminal e à sua capacidade de produzir provas que não deixem dúvidas quanto à adequação das penas aos crimes julgados.

31.7.07

Tenhamos esperança

Aqueles que interessam na ONU, uma organização estranha, um tanto absurda, mas também tida por muitos como imprescindível (quem sou eu para discordar), decidiram-se finalmente por enviar tropas para o Darfur. Façamos votos para que possam, ainda, vir a ter alguma utilidade. Por outro lado, aguardemos as sempre cínicas reacções por parte daqueles que, em Portugal e por esse mundo fora, se opõem sistematicamente a qualquer movimentação de tropas que, em missão de paz ou de guerra, possua um átomo de utilidade.

Patriotismo q.b. ou um "post" à espanhola

Não tem sido apenas a sorte, o acaso ou o estado do tempo que nos últimos dois ou três anos reduziram significativamente o número de fogos florestais ocorridos em Portugal, ao mesmo tempo que vão diminuindo também os números respeitantes à área ardida. Na verdade, tem-se gasto dinheiro e prosseguido políticas de prevenção e combate aos incêndios que apresentam resultados muito positivos. É certo que de um momento para o outro tudo pode mudar e até o parque florestal do Monsanto pode ficar queimado de uma ponta à outra, reduzindo a cinzas, entre outras coisas mais importantes, as palavras que para trás foram escritas. Ainda assim, penso que os portugueses podem estar moderadamente satisfeitos com os resultados conhecidos, até por que muitos deles têm dado o seu contributo para uma alteração qualitativa e quantitativamente importante da realidade dos fogos florestais.
Vem isto a propósito dos incêndios que, ano após ano, e sobretudo nos últimos três ou quatro, dizimaram vastíssimas áreas do território espanhol em Castela, na Catalunha, na Galiza e agora nas Canárias (Gran Canária, La Gomera e Tenerife). Não vou tecer considerações que não devo nem posso sobre as suas causas, as suas origens ou a forma como os incêndios têm sido mal combatidos ciclicamente, Verão após Verão, no país vizinho. Quero apenas dizer que os portugueses, ao contrário da tantas vezes acriticamente apelidada excelência dos espanhóis, têm aprendido com os seus erros, os seus pecados e conseguido fazer melhor. Tenho para mim, aliás, que a ausência em Espanha de uma política nacional de prevenção e combate aos fogos florestais tem impedido a produção de bons resultados. Mas isso é com os nossos vizinhos espanhóis...
Além disso, e como se não bastasse, o Porto, tida como cidade decadente e imprestável, Deus a proteja, não foi vítima de um “apagão” que revelasse o que de pior existe no fornecimento de bens e serviços essenciais como a energia eléctrica. Em Espanha e, já agora, em Barcelona e na Catalunha, o mesmo não pode ser afirmado. É pois caso para dizer e repetir que do país vizinho e no país vizinho há demasiadas coisas que nós não conhecemos ou que não queremos conhecer, mas que fazem dos portugueses bem melhores na forma como evitam erros ou, simplesmente, são capazes de os corrigir.

Pérolas


Miss Pearls colocou-me a mim e ao «Desconcertante» na sua açoteia. Com este magnífico tempo de Verão é fazer votos para que a incidência de tanto raio ultravioleta nos não queime e a contemplação das estrelas nos não deslumbre!

Os “PSDs” do PSD segundo Pacheco Pereira.


Vale bem a pena ler este texto de José Pacheco Pereira no Abrupto. Já tens uns dias, mas é uma excelente análise política e sociológica do PPD-PSD e na qual se identificam algumas das causas próximas e longínquas para a actual crise do principal partido da oposição. Penso até que o artigo do Público, reproduzido em blogue, seria um bom ponto de partida, que Pacheco Pereira não devia desperdiçar, para um ensaio mais longo e substancial sobre o mais interessante partido político português do pós-25 de Abril.

30.7.07

"Belenenses rei em Marrocos"...

... titula A Bola on-line. Dificilmente poderia haver escolha melhor, mais justa e mais sugestiva.
"Mais um troféu para o Restelo" é título bem mais frio e menos imaginativo.

29.7.07

A "Unidade" do Estado Português.

A julgar pelas notícias que este fim de semana nos têm “informado” acerca das peripécias em torno da investigação ao caso “apito dourado”, eu diria que as ameaças à “unidade” do Estado português não vêm da Madeira e do não cumprimento da lei do aborto por aquele Governo regional, mas do sistema judicial. Se fosse Sócrates era com isto que me preocupava. O resto são “amendoins.”

28.7.07

Interpretação de sonhos.

Passar uma parte da noite a sonhar que se é guarda-freio num eléctrico rápido numa qualquer linha deste país, não lembra ao diabo! Que a “instrutora” seja uma antiga colega de “liceu”, já lá vão mais de vinte anos, caladinha, feiota, "taco de pia" e simpatizante, à época, do PC ou de uma qualquer força de esquerda radical (UDP?), é coisa que ainda lembra menos a belzebu! Ou será que não?

27.7.07

O legado de Oliveira Salazar

Oportuno e excelente é este texto de João Gonçalves no Portugal dos Pequeninos. Desde logo pela clareza da forma e das ideias, mas também pela coragem que representa falar de maneira tão cristalina sobre aquilo que representou o “colonialismo” pensado e executado por Oliveira Salazar. O fim daquele empurrou Portugal para uma situação de inviabilidade da qual não consegue sair e suspeito de que nunca sairá. A Europa, infelizmente, é uma ilusão. Não digo em si mesma, mas do ponto de vista dos nossos interesses e das nossas expectativas enquanto povo e nação. Mas o texto de João Gonçalves é ainda importante por recordar à direita portuguesa que, sem assumir e até integrar, ao menos, parte do legado de Oliveira Salazar se encontrará sempre diminuída política, ideológica e moralmente. Neste momento de crise profunda, a direita portuguesa deverá regressar às suas fontes, recuperá-las e assumi-las. Isso não significará pretender restaurar o “fascismo”. Significará tão somente a assunção da sua história e das suas circunstâncias. E valha a verdade, a direita pode assumir Salazar e o salazarismo sem complexos, da mesma forma que as esquerdas não renegam a I República que apelidam de “liberal” e de “democrática” ou o legado do marxismo-leninismo.

26.7.07

A entrevista

O mais tocante nos excertos da entrevista de ontem de José Sócrates à SIC que hoje pude ver, é o facto do nosso primeiro-ministro insistir em querer ser notado e avaliado como o líder da oposição a Alberto João Jardim. Diante de facto tão extraordinário, aguardam-se ansiosamente novos desenvolvimentos.

No Ex-Ivan Nunes

O Ivan Nunes não precisa de publicidade, ou pelo menos daquela que eu lhe possa fazer. Mas toda a gente gosta de elogios. Mesmo que sejam os meus. O blogue do Ivan Nunes é um exemplo de equilíbrio e de inteligência, onde se também passeiam a ironia, a elegância e a vaidade. Em seis ou sete textos há dois ou três que merecem bem a pena. Senão vejamos: este pela investigação aturada e pela menina na foto que o ilustra; este outro pela piedade; e este por que, e não querendo pôr-me em bicos de pés, já pensei umas quantas vezes que devia e podia escrevê-lo. Só não sabia como e é sempre bom aprender. De qualquer modo, vindo de quem vem, suponho que ganha uma outra autoridade moral e política.

25.7.07

Retratado

Como ontem o li apenas pela manhã, só hoje, neste início de tarde que convida à praia, agradeço a José Medeiros Ferreira, perdoe-se o narcisismo, a nitidez do retrato que tirou a este vosso criado.

24.7.07

A Rússia cada vez mais gélida

Foto: Rio Lena na Sibéria (Primavera-Verão).
Só para acalmar, como se possível fosse, os cada vez mais histéricos apaziguadores da Rússia por causa dos permanentes conflitos de espiões e com espiões que aquele país mantém com o Reino Unido, deixo aqui ligação para esta notícia do El País on-line. De acordo com aquele jornal foi detido em Tenerife um espião duplo espanhol que trabalhava para os serviços secretos russos (garanto que não estou a dramatizar). Ou seja, o “urso” russo não brinca em serviço e comporta-se não como parceiro que se gostava que fosse mas como o inimigo que obviamente é. Acrescento ainda que será curioso ver de que forma Zapatero descalçará esta bota, embora aposte que tudo irá correr pelo melhor. Afinal a Rússia é uma outra "civilização" e o presidente espanhol é um adepto fervoroso do diálogo entre as ditas. Presumindo, claro está, que elas (ainda) existem e o “diálogo” também. Dedução minha duas vezes politicamente muito incorrecta.

O realismo de Miguel Portas

Através do Arrastão soube com atraso que Miguel Portas tem um blogue (Sem Muros) onde conjectura, sobretudo, acerca de questões internacionais. No meio daquilo que li escrito pelo estimável eurodeputado Portas, descobri uma pérola em que o dito se identifica com umas declarações proferidas por Massimo D’Alema e segundo as quais o Hamas, apesar de ter cometido actos terroristas - presumo que já não comete – deve ser tido em conta e aceite internacionalmente na qualidade de força política com apoio popular expresso em eleições vitoriosas. Daí decorrerá que EUA e União Europeia não devem hostilizar aquele “movimento” sob o risco do mesmo poder vir a cair nos braços da Al Qaida. Como é óbvio, e Portas deve sabê-lo, o problema da natureza da relação dos EUA e da União Europeia com o Hamas está muito para além do facto de se tratar de um movimento terrorista ou de ter ou não ter grande apoio popular (por exemplo, possui-o em Gaza mas não na Cijordânia). Entre outros, o problema com o Hamas é consequência do facto desta organização terrorista não só se recusar a aceitar reconhecer a existência do Estado de Israel, como pretender a sua destruição.
Ainda assim, e para que conste, recordo que Adolf Hitler e o Partido Nacional Socialista Alemão não só tiveram muitos votos e grande apoio popular, ao menos entre finais da década de 1920 e 1933, como apenas ambicionavam destruir a Checoslováquia, a Polónia ou a Rússia Soviética. Mas enfim, presumo que na cabeça de Portas, e bastando ter um pouco de fé, rapidamente se perceberá que o Hamas é diferente de tudo e todos e uma vítima da história mais próxima do Médio Oriente e Palestina. Eles não querem destruir Israel, as circunstâncias é que se lhes impõem.
É por isso muito engraçado ver Miguel Portas e quejandos não só convertidos ao realismo político, mas inclusivamente dispostos a pregá-lo, seguindo, sem saberem (?), alguns dos ensinamentos deixados pelo cardeal Richelieu, pelo conde Franz George Karl von Metternich, pelo príncipe Otto Leopold Eduard von Bismarck-Schönhausen, por Henry Morghentau ou por Henry Kissinger. O mundo dá muitas voltas, mas há pessoas que dão muitas mais. Tudo para que lhes dêem os segundos de atenção. Ou será que é apenas para defenderem os princípios em que não só acreditam como sempre acreditaram!

23.7.07

Desobediência Civil

Em Portugal, nestes trinta e tal anos de democracia, não se cumpriram e não se fizeram cumprir milhares de leis. Anda agora por aí gente muito preocupada pelo facto do Governo regional da Madeira ter declarado que não vai aplicar a nova lei do aborto no arquipélago por, afirma, lhe faltarem meios para a por em prática (veja-se um curioso e previsível exemplo de preocupação aqui e aqui).
Eu podia tratar de evocar a hipocrisia daqueles que criticam o Governo madeirense. Fá-lo-ia recordando, por exemplo, que muitos dos princípios, em muitos aspectos mais importantes do que a própria lei, do Serviço Nacional de Saúde não são cumpridos, não foram cumpridos e nunca serão cumpridos em Portugal. Mas não vale a pena.
De qualquer modo, não só não me lembro de alguma vez ter visto a esquerda em Portugal opor-se de forma tão clara e intransigente ao princípio da desobediência civil, como não a recordo tão ansiosa para que se faça cumprir a lei. Ainda assim em Portugal quem faz que se cumpra a lei são os tribunais.

22.7.07

Teresa Herrera

Nos dias 8 e 9 de Agosto próximos, “os Belenenses” disputarão o trofeu Teresa Herrera. É o mais prestigiado dos trofeus internacionais de futebol que enchem os estádios espanhóis durante o Verão. Uma pequena história da prova pode ler-se aqui. Como a partida inaugural é disputada pelos “Belenenses” e pelo Real de Madrid, isso significa um prestígio acrescido para o meu clube e para o futebol luso. Porém, e como sempre, os jornais, as televisões e as rádios aqui da pátria estarão entretidas em dar e falar de jogos disputados entre os “três grandes” e equipas que muitas vezes são pouco mais do que o refugo do futebol mundial. Por mim, e como estarei a 8 de Agosto de férias na Galiza, tudo farei para ir ao estádio do Riazor na Coruña assistir ao clássico Belenenses versus Real de Madrid. E é para ganhar. Ao Real e o trofeu. Se não se ganhar, ao menos que não se perca por muitos.

Que pena!

Desembarquei na Portela na passada sexta-feira ao fim da manhã. Assim que entro no táxi, a primeira voz que oiço é a de José Sócrates na Antena 1. No debate em curso na Assembleia da República perorava o homem com aquela excitação e autoconvencimento que o caracterizam. E o que é que dizia a personagem? Respondendo a uma intervenção de um deputado do PSD – que não ouvi – mas na qual suponho se fizera menção aos atentados à nossa democracia perpetrados pelo Estado e pelo Governo PS, com a cobertura e a cumplicidade do primeiro-ministro, Sócrates só se lembrou de contra-atacar evocando o célebre déficit democrático existente na região autónoma da Madeira. A primeira coisa que me veio logo à ideia, e depois de uma semana ausente, e bem ausente, da pátria, foi que Sócrates decidira candidatar-se em 2011 ao lugar ainda ocupado por Alberto João Jardim. Com o decorrer da conversa percebi que me tinha enganado. Isto apesar de Sócrates ter tudo para triunfar num universo que ele considera submergido pelo autoritarismo. Respirei fundo e pensei: Que pena!

9.7.07

Multidões e primeiros-ministros

Depois de, antes de um jogo do "Euro" 2004, o primeiro-ministro de então, Durão Barroso, ter sido vítima no Estádio da Luz de uma monumental assobiadela com que os milhares de espectadores portugueses ali presentes não quiseram deixar de brindá-lo, e de Santana Lopes, também primeiro-ministro, ter recebido o mesmo tratamento não sei já onde, também Sócrates recebeu no Sábado, quando se preparava para assistir ao espectáculo das “7 Maravilhas”, os apupos, os assobios e os insultos que indiscutivelmente merece.
Com tanto chefe de Governo vaiado nos últimos três anos aqui na pátria, acabei por me lembrar de um episódio ocorrido no velhinho José de Alvalade já lá vão mais de 33 anos. Nessa altura, quando se ia disputar um Sporting-Benfica, a chegada de Marcello Caetano à tribuna daquele estádio a rebentar pelas costuras foi anunciado aos microfones, alto e a bom som, para que toda a gente ouvisse. Imediatamente, o "povo" levantou-se e aplaudiu de pé o então presidente do Conselho que escapara dias antes ileso ao fracassado golpe militar das "Caldas". É verdade que, no dia 25 de Abril, muita gente vaiou o mesmo Marcello Caetano quando abandonou, a bordo de um chaimite, o quartel do Carmo onde se refugiara ao ter conhecimento do golpe militar ocorrido naquele dia. Também é verdade que estas coisas valem o que valem e que os tempos são, absolutamente, outros. No entanto, convém recordar que entre nós o respeitinho continua a reinar e que, para que não tenhamos ilusões, o Largo Carmo em Lisboa sempre levou muito menos gente do que o velho ou o novo Alvalade.

6.7.07

Exames

Foto: Pormenor do claustro do Colégio Espírito Santo, Universidade de Évora.
Já não neva em Évora. As "orais" serão na terça. Depois disso, e salvo uma ou outra excepção prevista na lei que servirá este ou aquele aluno que reprove hoje ou na terça-feira, ou que tenha reprovado por não ter comparecido aos exames de hoje, pode-se dizer que chega às licenciaturas em História e aos mestrados do Departamento de História da Universidade de Évora o chamado sistema de Bolonha. Para o ano, e ao menos para mim, nada se repetirá. Aulas aos primeiros e aos segundos "ciclos", em vez de licenciaturas e mestrados. Chegam as tutorias de jure. As "unidades curriculares" substituem-se às "disciplinas" ou às "cadeiras". "Competências" tomam o lugar do "conhecimento", coisa manifestamente do passado que nem as Universidades se atrevem a dizer que dão. Na forma, nos nomes e nos conteúdos quase tudo será novo. Os tiques também. Sobretudo estes. À minha frente estão dez alunos. Os últimos do velho sistema. Precocemente envelhecidos por isso mesmo. Aí estão seis do sexo feminino e quatro do outro. São os últimos pré-Bolonha. Também aqui, na sala 115 do Palácio do Vimioso em Évora, se faz história. Modestamente. Discretamente.

5.7.07

É Proíbido Proibir

Muitos dos herdeiros do espírito do “Maio de 68” estão hoje de alma e coração com a candidatura de Zé Sá Fernandes à Câmara Municipal de Lisboa. Só não percebo como é que essa gente que delirou com a velha máxima “é proibido proibir”, segue acriticamente um homem que quer proibir tudo e mais alguma coisa. Ontem, a bordo de uma traineira fazendo um percurso entre Algés e Santa Apolónia, prometeu proibir, caso venha a ser eleito, que se construa o que quer que seja na frente ribeirinha de Lisboa. Parece que não repetiu uma ideia peregrina segundo a qual, no porto de Lisboa, os paquetes só deveriam poder atracar na “perpendicular”. É que neste caso iria obrigar a Administração do Porto de Lisboa a construir novos cais de embarque, e que cais, em boa parte da frente ribeirinha de Lisboa.

4.7.07

Óbito

Morreu hoje Henrique Viana. Um excelente actor de teatro, cinema e televisão. Sempre popular, nunca o vi ser vulgar.

O estado da nação em Espanha

Decorreu ontem e continua hoje no parlamento espanhol o debate sobre o “estado na nação”. Valha a verdade que se neste particular Zapatero mandasse, seria o debate sobre o estado das nações que compõem o estado espanhol. Assisti à quase totalidade do debate em que se digladiaram Zapatero e Mariano Rajoy. Gostei especialmente do discurso do líder da oposição (que se pode ler aqui; e o de Zapatero aqui), embora não seja certo que Rajoy tenha dito exactamente aquilo que levou escrito para a tribuna. Dos três temas que Rajoy escolheu para encurralar Zapatero, um, desde logo, pareceu-me importante e melhor apresentado perante os deputados. Refiro-me à lei da memória histórica que apenas tem servido, por várias razões, para dividir desnecessariamente os espanhóis, mas sobretudo por prometer aos derrotados da guerra civil e do franquismo uma vitória e até um ajuste de contas absolutamente desnecessário e que, nos termos em que tem sido conduzido, só interessa a oportunistas, a ingénuos e a radicais. O outro tema foi a questão do terrorismo e o fracasso da luta do Presidente do Governo espanhol pela paz e contra o dito. Zapatero encontra-se numa situação delicada nesta questão uma vez que falhou totalmente a sua estratégia, aliás bastante simples: apaziguar os terroristas ao mesmo tempo que hostilizava o PP. Aliás, e não sem exagero, parece que para Zapatero o seu principal inimigo político em Espanha e no mundo é o PP e não a ETA e o terrorismo (embora os socialistas possam dizer o mesmo do PP e de Rajoy).
Para terminar, e não querendo deixar de fazer uma analogia entre o estilo Zapatero e o estilo Sócrates, notei que para aquele, convictamente aliás, não deve haver oposição à política antiterrorista, por pior que esta seja nos seus princípios, meios e fins e, sobretudo, quando essa política foi desenhada, também, contra o PP. Lá como cá os socialistas não gostam que se debata e que haja oposição àquilo que verdadeiramente importa, àquilo que verdadeiramente interessa: o destino do Estado e o destino do seu sistema político-constitucional.

1.7.07

Hino à Real Vulgaridade

As monarquias europeias sempre se caracterizaram pela vulgaridade e pela rentabilização da mesma (perdoe-se-me o palavrão). Uma vulgaridade que só os monárquicos se comprazem em ignorar por razões que só eles poderão desvendar. Mas essa vulgaridade nunca foi tão cruamente exposta como nos últimos vinte ou trinta anos. De facto, a vulgaridade da monarquia europeia e, em especial, da monarquia britânica, atingiu novos patamares com a celebérrima Diana Spencer, baptizada de "princesa povo" pelo há poucos dias defunto Tony Blair.
Essa vulgaridade regressou a 1 de Julho sob o pretexto da celebração de mais um aniversário da dita, falecida num acidente de viação há coisa de uma década. De facto, o concerto de Wembley foi todo uma enorme vulgaridade. Desde a ideia em realizar o dito, ao tipo de música e de "intérpretes" que por lá passou. Ou seja, todos, povo, artistas e príncipes, estiveram ao nível mais rasteirinho, muito bem uns para os outros. Para não destoar lá apareceram a abanar as ancas e a bater palminhas diante das câmaras e do povo os dois filhotes da Diana e do eterno príncipe de Gales. Os pequenos príncipes também falaram e quem os ouvisse tremia a pensar que um deles poderá um dia ser rei. É verdade que o apoio dos rapazes à iniciativa se resume a uma tentativa de os fazer populares – ou de reforçar a sua popularidade – aos olhos do povo britânico e, por via disso, reforçar a sua imagem e a da monarquia. Como políticos de plástico ou artistas de variedades do mais medíocre que há, os dois rapazolas vão pelo caminho mais fácil na tentativa de salvarem o seu modo de vida e a instituição que a avó, Isabel II, teme que possa desaparecer para sempre não muito depois de deixar de ser rainha. Não faço futurologia, mas a verdade é que as monarquias europeias, ao assumirem diante de todos a vulgaridade dos seus príncipes, caminham a passos largos para o abismo. Nem os republicanos as poderão salvar.